Teologia do corpo Dele

Teologia do corpo Dele[1]

Aslam1. Força para Servir e se Sacrificar

Homem e mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus, que é Amor. O corpo do homem e da mulher são uma imagem de Deus e um chamado à doarem-se um ao outro no Amor. Contudo, o pecado original debilitou a afetividade humana. Com a sua redenção, Cristo restaura e eleva as forças humanas para a vivência plena e purificada de nossa corporeidade, afetividade e sexualidade.

Um dos contrastes mais aparentes entre o corpo masculino e o feminino está na força do homem comparada com a beleza da figura feminina. Em geral, os heróis são representados com uma grande força e os vilões como homens fracos e débeis. Isso, contudo, não significa que a mulher também não possua força.

O corpo masculino aponta para algo mais profundo, não apenas para a força dos músculos, mas para a força de caráter. Como é desapontante um homem com grande força física, mas incapaz de se sacrificar pelos outros, ou de resistir a uma simples tentação!

Em 1852, um caçador chamado François Dorel passou pela pequena vila de Ars, na França. Ele havia ouvido falar de um padre extraordinário que lá vivia. Enquanto ele caminhava com seu cão de caça em direção da igreja, são João Maria Vianney passou por ele, parou, olhou dentro de sua alma e disse: “Eu desejo muito que sua alma seja tão bonita como o seu cachorro”.

A força interior não tem idade. Jason Evert[2] conta que, depois de sua Missa privada, o Papa João Paulo II conversou com cada pessoa que tinha vindo para o ver. Ele que tinha sido um atleta e de uma beleza muito grande quando jovem. Quando se aproximou do Papa, ele pode perceber sua mão trêmula por causa do mal de Parkinson e que o fazia ter de ficar sentado. Aí está o homem que ficou órfão muito jovem, que sobreviveu ao Nazismo, contribuiu com a queda do Comunismo e possuía a responsabilidade por bilhões de almas em todo o mundo. “Ao que ele olhou para os meus olhos durante nossa rápida conversa, eu percebi nunca ter encontrado alguém com tanta força, e eu diria, masculinidade. Ele era uma verdadeira imagem daquele que O criou”.

Poucos tem apresentado a Deus nas suas qualidades masculinas. Raramente se fala de Deus como Juiz ou como um Rei que merece honra e obediência. Fala-se apenas de sua bondade, caridade e sensibilidade. Ele parece, assim, o Papai Noel. Um Deus emasculado.

O rei Davi escreve:  “Eu, que me tinha deitado e adormecido, levanto-me, porque o Senhor me sustenta. Nada temo diante desta multidão de povo, que de todos os lados se dirige contra mim. Levantai-vos, Senhor! Salvai-me, ó meu Deus! Feris no rosto todos os que me perseguem, quebrais os dentes dos pecadores” (Sl 3, 6-8).

No livro das Crõnicas de Nárnia, “O Leão, a Bruxa e o Guarda-roupa”, a menininha fica apreensiva sobre se encontra com o leão Aslam (símbolo de Jesus Cristo). Perguntam-lhe se é seguro se encontrar com um leão. A respostas se aplica a uma perfeita descrição de Deus: “Segura?… Alguém disse que era seguro? É óbvio que não é seguro. Mas, Ele é bom. Ele é o Rei, eu tinha te dito”.

Um rapaz de 17 anos disse para Jason: “Eu sei que é errado dormir com umas garotas com as quais eu não me envolvo realmente, mas se eu a amar? Tu viste, a garota com que eu estou agora, eu morreria por ela”. Jason respondeu: “Ok. Faça isso”. Ele olhou espantado, “Huh?” Jason explicou: “Morra por ela. Veja: é divertido imaginar uma cena em que tu fazes um sacrifício heroico para salvar a vida de uma mulher. Deus pôs esse nobre desejo em nosso coração por um motivo. Mas, encara os fatos: isso não acontecerá. A não ser que sua garota esteja envolvida com o crime organizado, ela provavelmente não será levada para lhe darem um tiro. Mas, há alguém de quem tu precisas protegê-la, e é de ti mesmo. Se queres realmente morrer por ela, deixe que tua luxúria morra. Se queres proteger ela, guarda a sua alma. Se alguém desse um tiro nela, ela iria para o céu? Ou, talvez, estás mais interessado em seu corpo do que em sua alma?

O modelo de masculinidade nos foi dado quando Deus se fez homem, Jesus Cristo. Ele veio para sacrificar-se para salvar os outros (cf. Is 52-53). O contrário seria dominar os outros para me servirem. Os esposos devem amar suas esposas como Cristo amou à Igreja (cf. Ef 5, 25).

Jason Evert conta que na preparação da Missa de seu casamento com Crystalina, eles não escolheram como leituras as Bodas de Caná, ou outras sobre o amor. Escolheram um evangelho da crucificação. Isso iria parecer estranho, um texto de um homem humilhado, espancado e morto.

Mas, para Jason, era o que ele queria para o seu casamento. “Ninguém tem maior amor, do que o que dá a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15,13).

Infelizmente, nem sempre os homens conseguimos ter a força para amar as esposas como elas devem ser amadas.

“Jessica”, “esteve envolvida em prostituição e ainda em pornografia e sofreu um problema vascular cerebral enquanto usava drogas” (p. 12). Ela entrou em coma e morreu, com 16 anos, filha de um pai desconhecido. Um amigo da família enviou um longo email lamentando o fato que muitos rapazes cobiçavam ela na Internet, sem saber se ela estava viva ou morta. “Em vez de olhar os atos que ela fez… reze por ela”.

João Paulo II disse que a dignidade e o equilíbrio da vida humana dependem, “em qualquer momento da história e em qualquer ponto de longitude e de latitude geográficas, de ‘quem’ será ela para ele e ele para ela”[3]. O que os homens foram para Jéssica e o que ela foi para os homens?

Os homens não fizeram sacrifícios por ela ou por defendê-la. Se tornaram exploradores, em vez de protetores. Sacrificaram-na no altar da luxúria. O homem que cooperou para dar a vida a ela, recusou dar a ela sua paternidade. Os homens que a usaram para a prostituição, não pagaram por sexo, mas para não se “incomodar”. Ela usou os homens para o seu lucro. E usou o dom da sua beleza para enredar os homens numa vida de pecado.

“Todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mt 5, 28).

Uma das grandes confusões para a vivência da pureza  é confundir “pecado” com “sexualidade”. Muitos pensam ter apenas duas opções: reprimir suas paixões e deixar Deus contente ou liberar minha luxúria e me fazer feliz.

Ao ver a mulher criada por Deus, o homem manifesta admiração e fascinação[4]. Ele experimentou o desejo sexual como algo puro; como um chamado a um amor total, livre, fiel e fecundo. Contudo, o pecado obscureceu os seus olhares e de pessoas, passaram a se olharem como objetos inanimados.

O campo de batalha está entre o amor e a luxúria. A missão é de reconhecer na forma feminina o “significado esponsal do corpo”, ou seja, perceber um chamado ao amor.

“Minha irmã, minha esposa” (Ct 4, 9). Essa linguagem do Cântico dos cânticos talvez nos surpreenda.  O sentido é o de que o amor tem de se fraterno, o irmão que defende a irmã de tudo o que é impuro. Ela não é um objeto, mas um mistério a ser preservado. E só um bom amor fraterno prepara para chamá-la “esposa”.

Não se trata de aniquilar o amor erótico, mas de aperfeiçoá-lo. Essa conversão é uma paciente mudança sobre como se olha para uma mulher. Não se trata de reprimir umas paixões. Mas, de saber amar a mulher com amizade, fraternidade, responsabilidade e sacrifício.

Para amar, se precisa de força interior para não se deixar escravizar por relações desumanas. O amor, a beleza, a pureza, a abnegação por amor, nunca perdem o seu encanto.

 

 

  1. Deus toma a iniciativa do dom do Amor

Imagine que ela lhe convidou para um lanche. Depois da refeição, ao por do sol na praia, ela te diz eu gostaria de viver para sempre contigo. Depois, ela olha no fundo dos teus olhos, te toma a mão e pega um pequeno estojo. Ela se ajoelha, abre o estojo com um anel e te pede ser o seu noivo. Estranho? Sim, mesmo depois de tantas mudanças sociais, o homem ainda sente que a iniciativa para o amor é dele.

Tanto do ponto de vista anatômico, como afetivo, o homem inicia o dom de si para a mulher e ela o recebe, não de maneira passiva, mas uma recepção ativa.

“Eu dormia, mas meu coração velava. Eis a voz do meu amado. Ele bate. ‘Abre-me, minha irmã, minha amiga, minha pomba, minha perfeita; minha cabeça está coberta de orvalho, e os cachos de meus cabelos cheios das gotas da noite’”(Ct 5, 2).

Ele se aproxima dela com reverência, cativo dela. “Entro no meu jardim, minha irmã, minha esposa, colho a minha mirra e o meu bálsamo, como o meu favo com meu mel, e bebo o meu vinho com meu leite” (Ct 5, 1).

Ao criar homem e mulher, e isso era “muito bom” (Gn 1, 31), Deus tornou visível seu plano para a humanidade. Cristo referiu-se a Si mesmo, muitas vezes, como o Esposo. São Paulo disse que o homem deve amar sua mulher como Cristo amou a Igreja[5].

Deus não nos ama de modo sexual, mas o seu amor é tão íntimo e profundo que o melhor sinal desse amor é o abraço marital. Essa analogia, como todas as outras, sempre é inadequada. Mas, nos revela algo, uma centelha, do imenso Amor divino.

A experiência e o desejo da pura beleza é um eco do “princípio” em que Deus quis criar um corpo humano que refletia puramente toda a beleza divina e uma premonição do futuro, quando O veremos face-a-face.

Essa atração pela beleza dela é um sinal do céu. É Deus querendo nos chamar a atenção.

O nível de testosterona no homem é de vinte vezes maior do que das mulheres da mesma idade. O espaço no cérebro para a sexualidade é o dobro do que das mulheres. Esses desejos intensos que o homem sente são parte do plano de Deus.

O livro de Tobias contém um relato edificante onde Tobias, com a ajuda de Deus, vence o medo, a luxúria, e desposa Sara com amor. Eles dormiram em paz. O papa João Paulo II considerou isso como a “paz do olhar interior”[6].

A mulher sabe quando ela é vista com amor ou como um objeto. Seu cérebro tem facilidade em ler faces, perceber sentimentos, detectar o tom da voz. Elas estão equipadas para se defender de quem não vai defendê-la.

O plano de Deus para o amor masculino é a de que ele busque a ela com amor e sinceridade, integrando o desejo sexual e a capacidade de amar.

“Ele nos amou por primeiro” (1Jo 4, 19). Deus sempre toma a iniciativa em nos chamar. Muitas vezes recusamos o seu amor.

Alguns homens tornam-se agressivos ou manipuladores a fim de alcançar os seus prazeres. Outros, com medo da rejeição, tornam-se passivos. Outros, simplesmente, fogem para hábitos de pornografia. O compromisso vocacional exige coragem, iniciativa e a espera da resposta feminina.

Enquanto lê esse texto, poderá haver alguém que não sente essa inclinação para o sexo oposto.

O pecado original tem muitos efeitos, como a fraqueza na inteligência, a insensibilidade para com o outro, a falta de força interior, etc. Um exemplo de desordem afetiva se dá quando um homem sente desejo por crianças ou por novas formas de experiências sexuais.

O aparelho reprodutivo masculino foi feito para o feminino. Não é sem violência que ocorre a relação homossexual masculina. Isso ocorre desse modo pela razão muito simples de que apenas a relação homem e mulher é fecunda. Divorciar a reprodução da sexualidade seria algo como separar a digestão do ato de comer uma refeição. Um ato existe para o outro, existem como um único processo.

Não se sabe com clareza a origem da homossexualidade. Alguns podem não terem a figura paterna na infância, ou por que não se sentem atraídos para desenvolver semelhante papel. Outros foram vítimas de abuso infantil. É possível também uma origem biológica.

Há homens que, mesmo unindo-se fisicamente a uma mulher, possuem uma psicologia feminina. A virtude da castidade permitirá a elevar-se acima dessas inclinações e a viver a santidade.

Um homem passivo, medroso ou absorvido em si mesmo não é uma imagem adequada de Deus. A figura de Adão é melhor entendida em movimento, na ação. Ele é a imagem do Deus guerreiro. Ao transformar a sua afetividade num sacrifício pelo mistério feminino, o homem é capaz de viver já na terra o céu que lhe aguarda junto de Deus.

 

 

  1. Deus toma a iniciativa do dom da vida

“Obrigado por essas conversas sobre castidade, cara”, falou um jovem universitário”. “Eu realmente precisava. Eu vou iniciar do zero”. Quando chegou em casa ele recebeu uma mensagem de sua namorada: “Uh, Darren aqui é a Raquel. Nós fomos à festa no mês passado. Bem, eu fiz o teste de gravidez… Um. Eu preciso que tu me ligues no telefone”.

Dois ano depois, Darren estava numa conferência jovem. Estava Raquel também e ela disse que Darren tinha se transformado num pai maravilhoso. Que eles fizeram algumas coisas erradas, mas que, agora, tudo ía bem. Ele tem um trabalho e gastava bastante tempo com a criança.

Quem deseja os prazeres do casamento, deve arcar também com as suas responsabilidades. Se um jovem se abstém de relações íntimas com a namorada está em vista de um amadurecimento necessário para assumir a paternidade. Ele não pode “engravidar” alguém acidentalmente se não assumirá a responsabilidade. “Cuida da tua tarefa de fora, aplica-te ao teu campo e depois edificarás tua habitação” (Pr 24, 27).

A natureza criativa e criadora de Deus está estampada na anatomia masculina. Como Deus, o homem inicia o dom da vida. E a mulher é o tabernáculo da vida. Assim, se inicia o milagre da concepção da vida humana.

Uma vez perguntei a um amigo, num jogo de golfe, se ele tinha filhos. “De jeito nenhum, cara. Eu tenho medo de crianças”. Antes de dar a próxima tacada, lhe disse que ele ficaria sozinho quando fosse mais velho. Ele se lembrava de seus professores universitários que choravam de alegria ao falar dos filhos. Jason conta que fez essa experiência. “Os filhos são o supremo dom do casamento[7].

Todos os homens são chamados à paternidade. Inclusive, os sacerdotes são chamados “padres-pais” por que também eles dão a vida espiritual às pessoas, assim como o Cristo.

Um programa na universidade fez com que alguns rapazes dessem formação escolar para umas crianças pobres. Eles também jogavam basquete, as visitavam e brincavam com elas. Para muitas dessas crianças, essa foi a maior experiência de paternidade que elas haviam tido.

Quando um homem rejeita a paternidade, ele causa muitos danos. Jason Evert lembra de seu melhor amigo, Sean, perfurando a foto de seu pai e chorando. Há alguns dias, o seu pai havia anunciado na mesa do almoço, que ele estava deixando a família por uma outra mulher. Com o tempo, esse amigo de Jason deu claros sinais de abandono e depressão. Sua irmã começou a usar drogar e a dormir com um rapaz mais velho, enquanto que a mãe começou a perder o bom senso. Sean se perguntava: “a quanto tempo ele estava nos enganando?””Por que ele fez uma família para depois a abandonar?”

Nossa civilização, como em nenhum outro tempo, sente a ausência dos pais. E, enquanto o homem não se sente como tal, ele tenta provar para os outros que ele é um autêntico macho. Um dos modos de tentar provar para os outros a sua masculinidade é pela conquista de várias mulheres. E, assim, destrói a sua autêntica masculinidade que seria dar a vida para outros.

Garotas sexualmente ativas tem a tendência três vezes maior à depressão que garotas abstinentes[8].

Garotas sexualmente ativas (entre 12 e 16 anos) tem uma taxa de suicídio seis vezes maior que as virgens[9].

No Antigo Testamento, há uma profecia de que o coração dos pais se voltariam para os filhos e o coração dos filhos se voltariam para os pais[10]. Mesmo que o pai habite com os filhos, se não é capaz de dizer “eu te amo”, “me desculpe”, “eu te perdoo”, ele continuará distante deles.

Por isso, a Igreja chama a família de “escola do amor”. O amor é responsabilidade. As relações que construímos na família dependem da nossa relação com o Pai do céus. Ele não se importa com as nossas falhas, mas nos capacita para sermos imagens de seu Filho. Somos chamados a sermos imagens do Pai, na terra. Todo o nosso ser, o nosso corpo foi feito para isso.

 

[1] O presente artigo é como que um resumo do livro: Jason Evert, Theology of his body: Discovering the Strenght and Mission of Masculinity, Ed. Ascension Press, 2009. É um resumo ligeiro, grosseiro, apenas com fins didáticos.

[2] P. 6-7.

[3] TOB 43, 7.

[4] Cf. Gn 2, 23.

[5] Ef 5, 31-32

[6]TOB 13, 1. 110, 2

[7] Gaudium et Spes, 50.

[8] Robert E. Rector, et al., Sexually Active Teenagers are More Likely to be Depressed and to Attempt Suicide, The Heritage Foundation (3 June, 2003).

[9] D. P. Orr, M. Beiter, G. Ingersoll, Premature Sexual Activity as an Indicator of Psychological Risk,  Pedriatics 87 (February 1991): 141-147.

[10] Cf. Ml 4, 6.

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Homem alemão troca cargo por família

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,homem-alemao-troca-cargo-por-familia-,1114810,0.htm

Homem alemão

Executivos em posições de liderança em bancos e em órgãos do governo pedem demissão ou trabalham meio período para cuidar dos filhos

04 de janeiro de 2014 | 2h 01
SUSANNE AMANN , SIMONE SALDEN / DER SPIEGEL – O Estado de S.Paulo

No passado, as políticas alemãs relativas às famílias dos empregados eram mais voltadas às mulheres, mas a situação vem mudando. Os homens também começam a exigir condições de trabalho mais flexíveis para equilibrar seus deveres de trabalho e com a família – e isso vem forçando grandes mudanças da cultura corporativa.

 

Há alguns anos, Gerd Göbel provavelmente seria considerado um irracional por muitos diretores de recursos humanos. E possivelmente deixaria também os colegas surpresos. Göbel tem uma carreira bem-sucedida no segundo maior banco da Alemanha, o Commerzbank, onde chefia uma equipe de administração de ativos e portfólio. E trabalha em tempo parcial porque tem uma filha ainda muito pequena.

Quando a menina nasceu, há três anos, o executivo de 47 anos reduziu suas horas de trabalho para 40% do total; depois aumentou para 60% e mais recentemente para 80%. Na sua divisão, que tem 80 funcionários, ele foi o primeiro pai a tirar uma licença paternidade e o primeiro a desistir de uma posição que exige horário integral.

“Na época, claro que me perguntei se seria possível trabalhar em tempo parcial em um cargo de liderança”, diz ele, que chefia uma equipe de cinco pessoas. Mas seu experimento foi bem-sucedido e ele continua a passar um dia útil em casa, embora possa ser encontrado pelo telefone celular.

Göbel ainda é exceção. Mas o fato é que ele é um dos muitos pais que não se satisfazem mais em trabalhar a semana inteira e ver os filhos só nos fins de semana. Quando Jörg Asmussen se demitiu do seu posto de alto nível como membro da diretoria executiva do Banco Central Europeu, em meados de dezembro, ele citou a “família” e os “dois filhos ainda bebês” como o motivo. Considerações familiares também teriam sido fator decisivo para o fim surpreendente da carreira de Roland Pofalla, durante anos um dos homens mais influentes do governo Angela Merkel.

Mudanças. Na Alemanha em geral os homens ainda representam pouco menos de 20% de todos os indivíduos que trabalham em tempo parcial, mas este porcentual cresce rapidamente. A proporção de homens que trabalham meio período mais do que dobrou em dez anos, ao passo que a de mulheres cresceu em torno de 30%.

No pacto de coalizão recentemente concluído pelo governo da Alemanha foi inserido, pela primeira vez na história do país, um capítulo que trata do papel dos “pais ativos” e um apelo no sentido de “melhores condições que permitam que pais e mães compartilhem as obrigações profissionais e familiares de modo equitativo”.

A pressão por mudanças vem crescendo, com as empresas ainda lutando para encontrar e reter bons empregados. Já não basta mais oferecer aos funcionários uma creche na empresa. Pesquisas com os pais mostram que a possibilidade de manter uma carreira compatível com a vida privada aumenta enormemente a motivação para o trabalho e a fidelidade ao patrão.

Gestores de recursos humanos também reconhecem que o fato de estar ativamente envolvido na educação dos filhos também é benéfico para o progresso profissional de um indivíduo, já que pais que trabalham sempre são mais sociáveis e costumam organizar a carga de trabalho de maneira eficiente.

Os homens avaliam as políticas corporativas para famílias de forma mais negativa do que as mulheres. Para 85% deles, as políticas das empresas nesse setor são mais direcionadas às colegas do sexo feminino. Foi o que revelou um estudo feito pela A.T. Kearney que será publicado este mês. “As empresas precisam agir. Necessitamos urgentemente de novos modelos de modo a reformular inteiramente o trabalho”, disse Martin Sonnenschein, diretor da A.T. Kearney para a Europa Central.

Iniciativas. A gigante da engenharia Bosch é uma das que se esforçam para incluir os homens nas políticas de família. A empresa oferece a seus funcionários não só a possibilidade de “tempo de trabalho flexível” ou em meio período, mas os incentiva expressamente a trabalhar a partir de outros locais.

Os executivos têm permissão para organizar seus horários como preferirem, desde que produzam resultados – um projeto inicial pôs cem executivos para trabalhar de casa. Redes internas, como “papas@bosch” (“papais na Bosch”), auxiliam a troca de informações.

Os executivos estão embarcando nas possibilidades oferecidas, mesmo quando estão em cargos considerados chave pelas organizações. Lutz Cauers, de 49 anos, é um bom exemplo dessa tendência. Ele é diretor do departamento de auditoria interna da Deutsche Bahn, empresa ferroviária alemã.

Ele é responsável por mais de 100 empregados e se reporta diretamente ao presidente da companhia. Cauers tem escritório em Berlim e um segundo em Frankfurt. Ele controla também três outras bases na Alemanha e mais quatro na Europa, Ásia e Estados Unidos. Mas centralizou sua vida em Nuremberg, onde vivem a mulher e os três filhos.

Atualmente ele está montando um escritório numa empresa afiliada em Nuremberg e passa pelo menos uma noite da semana com a família. E com frequência pega um avião no início da manhã para Berlim ou o trem para Frankfurt. Se necessário, leva os filhos com ele para o escritório.

“Minha mulher tem uma empresa de médio porte, portanto é claro que ela não consegue cuidar da casa sozinha”, disse ele. “E eu não gostaria disso também. Quero ver meus filhos crescerem.”

Flexibilidade. Um número crescente de homens pretende seguir o caminho escolhido por Cauers e as empresas vêm reagindo a isso. A aérea Lufthansa, há anos, oferece a seus 70 mil funcionários a possibilidade de trabalharem meio período. Mas diz ter percebido que só isso não é mais suficiente.

Bettina Volkens é diretora de recursos humanos do grupo Lufthansa e também mãe de duas crianças. “Contratos de trabalho que não têm flexibilidade não funcionam mais”, diz ela, explicando que a empresa tem de se envolver diretamente com os problemas dos funcionários. A meta de Bettina é tornar a cultura da empresa mais aberta a modelos de contrato de trabalho ainda mais flexíveis.

Parte disso é o projeto piloto chamado “Novo Espaço de Trabalho”, em que 80 empregados da área de recursos humanos compartilham 50 estações de trabalho. Mesmo os executivos sentam em mesas diferentes a cada dia. “Os empregados podem trabalhar às vezes a partir de casa. “A ideia é incentivar isso”, diz Bettina. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

O Desaparecimento dos adultos

FOnte: http://www.presbiteros.com.br/site/o-desaparecimento-dos-adultos/

 

Giovanni Cucci S.I.[i]

Uma sociedade de eternos adolescentes?

Continua-se a estar sempre mais atingido pelo nivelamento das gerações que se vê em rapazes e moças, jovens e adultos unidos por uma mesma dinâmica: no modo de vestir, falar, se comportar, mas, sobretudo, nas relações e na afetividade revelam-se muitas vezes as mesmas dificuldades, até o ponto em que se torna difícil entender quem desses é realmente o adulto. Ao mesmo tempo, preocupa a sempre maior difundida fuga da responsabilidade, que leva a procrastinar indefinidamente as escolhas de vida, iludindo-se de ter sempre intactos, diante de si, todas as possibilidades.

Uma pesquisa da Istat[ii], realizada em 2008 (e, por conseguinte, anterior à grave crise que infelizmente levou ao desemprego milhares de jovens e de adultos), revelava que mais de 70% das pessoas com idade entre 19 e 39 anos vivem ainda com os pais. O motivo é também, mas não somente, econômico, já que nessa faixa há pessoas com trabalho estável e uma renda que permitiria viver de maneira independente.

As mesmas pesquisas mostram, além disso, que na Itália, mas também em outros países da Europa, há um aumento preocupante de jovens/adultos que pararam numa espécie de “limbo”, sem escolhas e sem perspectivas. Essa situação abarca uma faixa etária sempre maior, ao ponto de ser agora classificada como categoria sociológica, “a geração nem-nem[iii]. Mas, principalmente, tal condição, não é vista como problemática pela maioria das pessoas: “Há 270 mil jovens entre 15 e 19 anos que não estudam e não trabalham (9%): a maior parte porque não encontra trabalho; 50 mil porque fizeram de sua inatividade uma escolha; há ainda 11 mil que não querem saber de trabalhar ou estudar (“não me interessa”, “não preciso”, dizem). A mesma tendência ocorre nos dados relativos aos jovens entre 25 e 35 anos: um milhão e noventa mil não estudam e não trabalham; ou seja, quase um quarto deles (25%). Um milhão e duzentos mil desses gravitam no desemprego (mas entre estes últimos há quem diga que não procura bem porque está “desanimado” ou porque “de qualquer modo, o emprego não existe mesmo”). Setecentos mil são, ao contrário, os “inativos convictos”: não procuram trabalho e não estão dispostos a procurá-lo […]. Uma pesquisa espanhola recente, assinada pela sociedade Metroscopia, revela que 54% dos jovens da idade dos 18 aos 35 anos declara “não haver nenhum projeto sobre o qual desenvolver o próprio interesse ou os próprios sonhos”[iv].

A essa situação de impasse e confusão acompanha uma igualmente grave crise de autoridade e de normatividade que, como se verá, constituem um dever educativo irrenunciável. Tal dever é rejeitado por muitos motivos: porque esses que deveriam fazer valer a norma, os adultos, não possuem a força, têm medo de parecerem impopulares ou, muitas vezes, porque muitos não acreditam mais em ditas normas, vistas somente como uma fonte de conflito e dificuldade.

Mas o aspecto talvez mais triste dessa carência seja que a norma que o adulto deveria estabelecer, vem a faltar porque, às vezes, os mesmos educadores e pais se encontram perdidos em problemas afetivos, relacionais, até mesmo de dependência. E daí a crise profunda do adulto, com o risco de seu desaparecimento: “Se um adulto é alguém que tenta assumir as consequências de seus atos e de suas palavras […], não podemos deixar de constatar um forte declínio da sua presença na nossa sociedade […]. Os adultos parecem estar perdidos no mesmo mar onde se perderam os próprios filhos, sem qualquer distinção de geração”[v].

Uma motivação possível, na origem dessa amálgama indiferenciada, pode ser detectada no prolongamento da meia idade, própria das últimas décadas e agravada devido à crise econômica atual, a qual não encoraja a levar em consideração os custos e os esforços adicionais para comprometer-se numa situação futura incerta. Além disso, a nova cultura tecnológica contribui para confundir os limites entre a realidade e a fantasia, que é a característica típica da criança. Já o havia compreendido com lucidez Johan Huizinga no longínquo 1935: “[O homem moderno] pode viajar de avião, falar com pessoas do outro hemisfério, comprar guloseimas inserindo poucas moedas numa máquina automática […]. Aperta um botão, e a vida cai aos seus pés. Pode tal vida torná-lo emancipado? Ao contrário. A vida para ele tornou-se um brinquedo. É de se espantar que ele se comporte como uma criança?”[vi].

A dificuldade de crescer na sociedade tecnológica

A cultura dita tecnológica se impõe hoje, não só pela difusão de instrumentos sempre mais sofisticados, principalmente pela possibilidade de planificar a existência de uma maneira impensável às gerações precedentes[vii]. E isso, especialmente, em nível de natalidade. Em tal campo, apareceram termos usados sempre mais frequentemente, até surgir o slogan que resume uma concepção de vida: “procriação responsável”, filhos “queridos e desejados”, ou mesmo “programáveis”.

Parece assim ter-se realizado o sonho, desejado por Freud no fim do século XIX, de poder separar a concepção da pulsão erótica: tal separação não favoreceu, todavia, como esperava o fundador da psicanálise, o “triunfo da humanidade”[viii]. Mais precisamente essa levou a um empobrecimento psicológico e afetivo, nunca antes conhecido, uma verdadeira “revolução antropológica”, para retomar o subtítulo de um livro de Marcel Gauchet.

Desde o seu nascimento, o ser humano tem a ânsia de que, no fundo, poderia não ter sido desejada e que deve, de qualquer modo, “merecer” ter vindo ao mundo, correspondendo às fortes expectativas dos seus pais. Como observa Gauchet: “Disso pode derivar a invencível fé na própria sorte, ou, ao contrário, a sensação de irremediável precariedade da própria existência. Em relação àquele desejo que o subtraiu ao destino comum, manterá muitas vezes uma irredutível aflição […]. Um filho é cada vez mais desejado quanto menos é filho da natureza; mais é fruto de um artifício, qualquer que este seja, menos é aquilo que deve ser: o filho de seus pais”[ix].

Outro aspecto paradoxal dessa desenvolvida potencialidade planificadora é que a acurada seleção do nascituro corresponde sempre menos àquela atenção afetiva e educativa indispensáveis para educá-lo, tornando-o um adulto responsável. O filho se encontra, ao contrário, sufocado pela atenção dos pais que, depois de o terem programado por tanto tempo, veem nele a possibilidade de realizarem suas expectativas, muitas vezes até de preencherem seus vazios e suas incompetências.

A criança corre o risco, assim, de ser bem cedo tratada como um mini adulto, sobretudo se está sendo criada por um genitor solteiro: nesse caso, forte será a tendência a depositar no filho esperanças e expectativas que na verdade deveriam estar voltadas ao próprio companheiro, dando origem àqueles perversos díades nas quais o filho ou a filha são chamados a tornarem-se respectivamente “vice-marido” ou “vice-esposa” do próprio genitor, impedindo-se de viver a etapa infantil e a própria filiação, duas condições essenciais para a maturidade psíquica, cognitiva e afetiva[x].

A “síndrome do filho único”, vista em outras ocasiões[xi], parece confirmar essa inconsciente agitação, o desconforto de lidar com a polaridade desejo/rejeição dos pais. Ele se torna assim esmagado pelas expectativas dos pais, da mesma forma que um brinquedo é chamado a compensar as carências dos adultos.

Tudo isso contribui à incapacidade de um filho se tornar adulto; incapaz, sobretudo, de saber o que verdadeiramente quer da própria vida. Uma vez crescido, aquele menino ou aquela menina procurarão de fato aquela infância perdida que jamais tiveram, recusando-se a crescer.

A Síndrome de Peter Pan

A rejeição ao crescimento é um fenômeno em expansão, também desde o ponto de vista geracional, a tal ponto de ocupar a vida inteira do homem. Essa situação de “bloqueio interior”, de impossibilidade de se passar à fase adulta da vida, foi recentemente ratificada como categoria psicológica, chamada de Síndrome de Peter Pan através da obra do psicólogo junguiano Dan Kiley. Ele se inspira no célebre romance de James Barrie Peter and Wendy, publicado em 1911, embora tenha conseguido maior fama o título escolhido para a representação teatral, de 1904 (Peter Pan: o menino que nunca quis crescer).

A escolha do personagem, protagonista do romance, já é por si significativa. Peter era também o nome do irmão de James que morreu aos catorze anos num acidente de patinagem; enquanto Pan, na mitologia grega, era filho de Ermes e da filha de Driope, que o rejeitou, abandonando-o ao seu destino[xii]. Como na mitologia e no romance de Barrie, também na Síndrome de Peter Pan à base da condição instável e errante desse personagem é principalmente a ausência de relações afetivas importantes, em particular com os pais, vistos como frios e distantes, ou incapazes de suscitar respeito[xiii].

Desse modo, quem sofre dessa síndrome busca a própria infância perdida, comportando-se como se o tempo tivesse parado, assumindo por toda a vida a instabilidade psíquica e afetiva própria da adolescência, prisioneiro “no abismo entre o homem que não se quer tornar e o garoto que não se pode continuar a ser”[xiv]. E se essa pessoa, no meio tempo, também se casa, acaba por entrar em concorrência com os próprios filhos, imitando-lhes os comportamentos e os modos de pensar. Como confessava uma jovem desconsolada: “meu pai não faz outra coisa a não ser correr atrás das minhas amigas e depois quer se confidenciar comigo”[xv].

Por sua vez, os filhos, colocados no mesmo nível dos seus pais, tendem a comportarem-se como adultos: desse modo, nenhum dos dois vive as responsabilidades e peculiaridades da própria etapa de vida; como num jogo perverso, esses vêm trocados, invertendo perigosamente o significado da derrota edípica: “Se olhamos atentamente ao conteúdo da TV, podemos encontrar uma documentação bastante precisa não somente do nascimento da ‘criança adulta’, mas também do adulto ‘feito criança’ […] Salvo raras exceções, os adultos na televisão não tomam seriamente o próprio trabalho, não educam seus filhos, não participam na vida política, não praticam nenhuma religião, não representam nenhuma tradição, não têm capacidade de pensar o próprio futuro ou de formular seriamente projetos de vida, não são capazes de fazer longos discursos e não são nunca capazes de evitar comportamentos dignos de uma criança de oito anos”[xvi].

Na atual sociedade “líquida” a fase adulta corre o risco assim de reduzir-se a uma expressão de meros dados sem mais responsabilidades específicas que a caracterizam e, sobretudo, a diferenciam das fases precedentes da vida, conferindo-lhe uma identidade: ser adultos era sinônimo de ser maduros, não certamente como as crianças, mas capazes de assumir responsabilidades. Essas características aparecem sempre mais raramente, ao ponto em que “não é excessivo falar de uma liquidação da idade adulta. Estamos assistindo a uma desagregação daquilo que significava maturidade[xvii].

O desaparecimento do pai

A contínua popularidade e atualidade de Peter Pan não falam somente de uma dificuldade de crescimento. Esse personagem é também uma forma de protesto em relação à fuga dos educadores, daqueles que podem fazer bela, ainda que difícil, a missão de tornar-se adulto, deixando-o só: “Se Peter Pan é o símbolo de um fenômeno que tem crescido sempre mais nos últimos cem anos, ou seja, a obstinada vontade de permanecer criança, Peter Pan nos diz ainda algo mais inquietante: perdemos os nossos pais como modelos, os pontos de referência sólidos, fomos abandonados a nós mesmos”[xviii].

É significativo que autores das mais diversas escolas de proveniência individuam particularmente na ausência da figura paterna, acentuada dramaticamente nas últimas décadas, uma das principais razões para o vazio de sentido e de identidade que parece ser comum a jovens e a adultos. Um autor que não pode certamente ser etiquetado de tradicionalismo nostálgico observa a esse propósito: “O vazio estrutural da moderna sociedade ocidental provem da ausência do pai. Em certo sentido o enfraquecimento ou inclusive o desaparecimento de todos os outros papéis de parentesco derivam daquela lacuna que está no vértice da família”[xix]. Nessa falta, se constata, de fato, a incapacidade de uma geração de transmitir valores e tradições capazes de ajudar o futuro adulto a enfrentar as dificuldades da vida tornando, por sua vez, educadores de outros.

O desaparecimento dos vínculos familiares foi infelizmente visto como o sinal profético da vinda de uma nova sociedade; nos anos setenta do século passado era desejada a morte do matrimônio e da família, vista como o símbolo da opressão que penaliza a liberdade do indivíduo, impedindo a auto realização[xx]. Os resultados se revelaram, porém, muito diversos, precursores de problemas bem mais graves, que correm o risco de levar ao desaparecimento da sociedade ocidental, como acentua sempre Scalfari: “na maior parte dos casos o indivíduo, abandonado na sua solidão, não encontrou outro remédio melhor do que o de confundir-se no bando, isto é, de se tornar um sujeito anônimo e indiferenciado, sustentado somente por motivações emocionais”[xxi].

Não é mais a comunidade ou o vinculo a um determinado estrato social, mas sim “o bando” a caracterizar a sociedade sem adultos, uma sociedade que abandonou o seu dever educativo.

Os Procis, filhos de um pai ausente

Essa linha de leitura vem confirmada também na mitologia, na qual está narrada a história do homem e da mulher de todos os tempos. A categoria de “bando” lembra os Procis, magnificamente descritos por Homero, aquela massa numerosa (108 segundo a Odisseia XVI, 247 s.), violenta e parasita, dominada por uma agressividade desenfreada.

Exatamente como Peter Pan, esses não são mais crianças e nem mesmo homens; não fizeram nenhuma escolha em suas vidas; vivem cada dia, dos expedientes, gozando do instante presente, sem nenhum projeto pelo qual valha a pena empenhar-se. A atualidade psicológica e social desses personagens é digna de atenção: “Os Procis […] são a massa supérflua que logo preenche todo vazio de poder na sociedade. Mas na psiché são o adversário interno, a desagregação da responsabilidade […]. O que Ulisses odeia decididamente neles não é a arrogância – que não lhes é uma coisa estranha – mas o viver cada dia, sem nenhum objetivo: o ato supérfluo (anenysto epi ergo) […]. Aquilo que esses representam não pode ser readmitido na civilização, sob a pena da sua desagregação: a hilaridade, na qual o imaturo esconde o seu medo; o dia para chegar a noite; a obstinação a conquistar a mulher e a casa, a rainha e o palácio, sem a disponibilidade para organizar o sistema familiar e econômico. Mais uma vez, é o quadro do jovem desadaptado”[xxii].

O desenvolvimento narrativo da Odisseia faz agudamente notar como esses aparecem no dia seguinte ao desaparecimento do pai. A partida de Ulisses conduz à proliferação daqueles: os Procis podem ser considerados como a prefiguração ante litteram de Peter Pan. A comparação de ambos, de fato, não é forçada: é a mesma mitologia grega a colocar esses personagens em estreita relação entre eles. Pan seria, pois, o fruto da múltipla união dos Procis com Penélope durante a ausência de Ulisses[xxiii].

Colocados de frente à “prova do arco” (que, como veremos, é um símbolo da paternidade) se mostram incapazes de enfrentá-la (tendendo o arco para lançar a flecha), isso é, de assumir uma responsabilidade generativa que pode fazer deles homens. Têm idades diferentes, porém se apresentam com uma única classe, amorfa, sem identidade.

A tarefa de se tornar adultos

Mas o que significa ser adulto? Significa, antes de tudo, aceitar não ser mais criança, renunciando aos valores e comportamentos de idades precedentes para assumir a novos: a renúncia é a condição do crescimento, como bem tinha intuído Max Scheler[xxiv].

Deixar uma fase: isto é o que o adulto atual não parece mais capaz de fazer, antes de tudo, a nível imaginativo, lamentando-se sempre da criança ou do adolescente que jamais foi. Trata-se, porém, de acolher o que Freud chamava de o princípio da realidade que passa por uma ferida, uma experiência de impotência e de mortalidade que, paradoxalmente, no momento no qual vem assumido, fortalece o ser humano.

Isto era o significado dos “ritos de passagem” ou de iniciação, que nas sociedades de cada época marcavam o ingresso do jovem na idade adulta, mediante cerimônias guiadas por adultos. Os ritos de iniciação resultam fundamentais porque têm como objeto a agressividade, o sofrimento e a morte, em outras palavras, o ser humano na sua verdade e fragilidade. O rito podia fazer isso, porque recordava a sacralidade da vida e a sua relação com Deus; isso era o significado do gesto de tirar com violência a criança dos braços da mãe (que até aquele momento era o ponto de referência peculiar) para elevá-la ao céu, um gesto com o qual ela recebe a confirmação da própria identidade: “O significado desse gesto é claro: se consagram os neófitos ao Deus celeste”[xxv]. Essa tarefa sempre foi peculiar do pai.

Quando não se cumprem os ritos de iniciação, esses não desaparecem, mas enlouquecem, dando origem às derivas do “bando”. As violências das baby gang, o bullying masculino e feminino, os estupros de grupo, os “embalos de sábado à noite”, os comportamentos de risco, o uso de drogas em grupo, a atração pelo macabro são ritos de iniciação enlouquecidos, pedidos degenerados de tomar contato com a dimensão da corporeidade, da relação, da agressividade, do perigo, da morte, mas sem que exista, no entanto, um adulto capaz de acompanhar-lhes.

O desaparecimento dos adultos se traduz também numa redefinição dos papéis familiares: não são mais os filhos que devem aprender dos pais e receber deles normas e ensinamentos, mas ao contrário, são os pais que se conformam aos critérios e aos comportamentos dos filhos, procurando desse modo conseguirem a aprovação deles.

A necessidade de um modelo

Para ser adulto deve-se, pois, ter recebido uma ferida, aquela ruptura violenta que caracteriza o ingresso na realidade representada pelos ritos de iniciação. Tomar contato com aquela ferida significa para o jovem reconhecer e acolher a própria fragilidade. Isso lhe permite afrontar a realidade, abandonando as fantasias pueris e reconhecendo os próprios desejos profundos. Tornar-se adulto não significa de nenhuma maneira sentir-se onipotente, livre de defeitos ou limites, mas ocupar o próprio lugar, aceitando a possibilidade de equivocar, acolhendo o tempo que passa[xxvi].

O primeiro ensinamento que Deus dá ao homem na Bíblia é exatamente esse: se queres viver, se queres saborear a vida, recorda-te de que eres criatura, de que não és Deus. Isso é expresso na proibição de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (cfr. Gn. 2, 16): no trecho, aquela árvore simboliza o próprio Deus e o homem deve preservar-se do desejo de querer tomar-lhe o posto, porque acabará se destruindo. Naquele ensinamento podem-se conter as três etapas fundamentais do desenvolvimento humano: o nascimento, o desaleitamento, a derrota edípica. Essas constituem as três diferentes derrotas da onipotência, são os três “pontos de não-retorno” próprios do crescimento (em relação à condição pré-natal, ao aleitamento, a um ligame exclusivo com a mãe), indispensáveis para entrar na realidade, para ser “vivo”. Se cumpridas corretamente, essas três renúncias permitem, na idade adulta, fazer escolhas definitivas; por outro lado, a maior parte das dificuldades e do desgosto de viver é ligada exatamente a esses três aspectos.

À raiz de muitos pedidos de ajuda psicológica está frequentemente a não aceitação da própria verdade de criatura, marcada pelo limite e pela fragilidade: não se aceitar a si mesmo, antes de tudo o próprio corpo (pensemos no boom de cirurgias plásticas e do lifting com consequências também graves para a própria saúde, mas também nos distúrbios alimentares como a bulimia e a anorexia), não se aceita a própria família de proveniência, a própria história e personalidade.

Dever fundamental da mãe e do pai, o qual, como visto em outras ocasiões, é símbolo forte do Pai celeste, é apresentar novamente aos próprios filhos esse ensinamento do livro de Gênesis[xxvii], de tomar consciência dos próprios limites, condição fundamental para se tornar adulto e para produzir frutos na própria vida. Os pais podem fazer isso porque precedentemente acertaram as contas com a própria fragilidade, com a própria ferida originária[xxviii].

Se os pais querem, em vez, salvaguardar os filhos de todo tipo de dificuldade, isso levará ao aparecimento de dúvidas e frustrações interiores, que minam, à raiz, a estima de si e a capacidade de assumir responsabilidades. Principalmente os filhos terão dificuldades em aproximar-se aos seus desejos profundos, àquilo que realmente querem das suas vidas: “A clínica dos assim ditos novos sintomas mostra bem como o problema da atual insatisfação da juventude não seja tanto aquele do conflito entre o programa do impulso e aquele da Civilização […], mas de como aceder à experiência do desejo […]. A crise atual da operabilidade da ordem simbólica coincide com a crise do poder de interdição, mas também com a dificuldade da transmissão do desejo de uma geração a outra”[xxix].

Trata-se de saber dizer “não”, de colocar limites, impopulares certamente, mas que permitam de aceder ao desejo do coração e tornam capaz de superar os obstáculos que se entrepõem à realização dos mesmos. O limite e a frustração são elementos essenciais da educação, ainda que acompanhados do afeto e da confiança. Às vezes é o filho mesmo a pedir esse limite e que uma relação assimétrica (de adulto a filho) seja posta, também em forma não verbal, como no caso da garota surpreendida roubando em uma grande loja: “Essa jovem não estava simplesmente fraudando a lei ou gozando da emoção causada pela sua transgressão. Em modo paradoxal, ela estava fazendo exatamente o contrário: estava buscando ser vista pela lei, isto é, de fazer existir uma lei. ‘Alguém me vê? Alguém pode me ajudar a não me perder, a não me extraviar? Existe em qualquer lugar uma lei ou, mais simplesmente, um adulto que possa responder-me, que possa perceber a minha existência?’ A pergunta dos nossos jovens insiste e nos coloca com as costas contra o muro: ‘Vocês existem? Os adultos ainda existem? Há alguém ainda que saiba assumir responsavelmente o peso da própria palavra e dos próprios atos?’ Na cleptomania daquela garota podemos perceber toda a grandeza da insatisfação da juventude contemporânea”[xxx].

O filho pode compreender o valor do limite se vê nos pais não um tirano que o rejeita, nem o “camarada” que se coloca no mesmo nível dizendo-lhe sempre “sim”, mas alguém que o introduz com afeto na realidade, na sua dimensão de mediocridade e de fragilidade. O adulto pode fazer isso porque antes a acolheu em si mesmo. Isso lhe consente não colocar-se no mesmo nível daquele que é chamado a educar e de não ceder a chantagens afetivas.

Não se trata certamente de uma tarefa fácil: essa é, porém, o único modo para não fazer do filho um escravo dos próprios caprichos. A incapacidade de dizer “não” é um dos sinais mais fortes da crise do adulto e da perigosa inversão da derrota edípica, uma inversão inédita, na qual são os pais a pedir aos filhos de serem reconhecidos[xxxi].

Retomar o arco de Ulisses

A crise do adulto, reconhecida e descrita pela mitologia, pode encontrar, na mesma mitologia, possíveis saídas. Toda a primeira parte da Odisseia é chamada de Telemaqueia, a busca afanosa pelo pai ausente, por parte do filho. Ele não se resigna com o seu desaparecimento, mas deseja ver o pai, ainda que não o tenha jamais conhecido verdadeiramente, anseia de poder ter dele ao menos uma imagem para ser impressa na sua mente[xxxii].

O caso de Telêmaco é muito parecido à situação da juventude atual. Para ambos não são, certamente, algumas coisas que lhes faltam, nem mesmo o bem-estar; esses se descobrem, às vezes, desprovidos daquela representação ideal de si que somente o pai é capaz de dar.

Na Odisseia, Ulisses pode ser finalmente reconhecido como pai somente quando, no final da poesia, o filho o vê empunhar o arco, com aparência humilde, mas decidido: “parece que Homero pensou nos nossos tempos e que nos advertiu: jamais o pai desaparece totalmente. Mas não creiais de reencontrá-lo nos machos barulhentos: aqueles são os Procis, os eternos não-adultos. Se alguém, em vez, é humilde, paciente, poderia ser ele, o sobrevivente de guerras e tempestades”[xxxiii].

O arco pode simbolizar o papel e a tarefa do pai, que não é delegável; e, de fato, nenhum dos Procis tem a capacidade de manejá-lo, porque não possuem autoridade para isso. Mas o pai do qual se fala não é certamente o pai-patrão que caracterizou as nossas sociedades dos últimos dois séculos, levando ao final à sua rejeição e afastamento. Ulisses, em vez, diz com precisão Homero, sabe tender o arco como um músico acaricia a harpa, associando com esse gesto as duas funções essenciais do pai: a força e a ternura[xxxiv].

Somente quando é capaz de unirem em si essas duas virtudes, a autoridade e a ternura, Ulisses pode novamente empunhar o seu arco e meter fim à “noite dos Procis” [xxxv].

Tradução ao português:

Pe. Anderson Alves e Joyce Scoralick.


[i] Artigo publicado em La Civiltà Cattolica, II 220-232, caderno 3885 (5 de maio de 2012).

[ii] Istat é o instituto nacional de estatísticas, um ente de pesquisas públicas na Itália (nota do tradutor).

[iii] Assim traduzimos à expressão italiana “generazione né-né”, que quer se referir àquelas pessoas que nem estudam, nem trabalham (Nota do tradutor).

[iv] MANGIAROTTI, A. Generazione “né-né”. Settecentomilla giovani “inattivi convinti” In: Corrieri della Serra, 16 de julho de 2009, p. 25.

[v] RECALCATI, M. Dove sono finiti gli adulti? In: La Repubblica, 19 de fevereiro de 2012, p. 56. O recente filme 17 ragazze (17 moças) (de Delphine e Muriel Coulin) inspirado no fato real de um grupo de adolescentes estadunidenses, unidas por um pacto comum, de ficarem ao mesmo tempo grávidas, apresenta ao mesmo tempo toda a dificuldade do mundo adulto (na escola como na família) a compreender o desconforto dessas jovens, por estarem com os mesmos problemas não resolvidos.

[vi] HUIZINGA, J. La crisi della civiltà. Totino, Einaudi, 1962, p. 115.

[vii] Veja-se as célebres análises de HEIDEGGER, M. “A questão da técnica”, In ID., Saggi e discorsi, Milano, Mursia, 1991, p. 5 -27.

[viii] PREUD, S. “La sessualità nell’etiologia delle neurosi”, in ID., Opere (1892-98), Torino, Boringhieri, 1968, 410.

[ix] Cfr. GAUCHEI, M. Il figlio del desiderio. Una rivoluzione antropologica, Milano, Vita e Pensiero, 2010, 70; cfr. 49. Cfr. os problemas levantados por PAROT, F. – TEITBAUM, E. Des enfants sans toi ni moi, Paris, Flammarion, 2002, e por J. HABERMAS, segundo o qual programar o nascimento comporta a “dificuldade de conceber-se como autônomo”, também desde o ponto de vista da responsabilidade moral (L’avenir de la nature humaine. Vers un éugenisme liberale, Paris, Gallimard, 2002, 82).

[x] O célebre estudo de Miller sobre o alto custo que a nível afetivo paga a criança “constituída dote”, isto é, sensível a acolher a necessidade do progenitor, reprimindo o próprio, se insere nesta perversa dinâmica relacional, na qual os papéis são trocados. Esta afetividade reemerge na idade adulta nos níveis nas quais tinha sido congelada, e, uma vez adulto e progenitor, traz à tona uma série de desejos desatendidos. Frequentemente tal situação está na origem da atração de profissões relacionadas com o escutar e à ajuda, como a psicoterapia. Miller resume a própria experiência dos seus vinte anos em relação a três elementos fundamentais: “1)estava sempre presente uma mãe profundamente insegura no campo emotivo, a qual para o próprio equilíbrio afetivo dependia de um certo comportamento ou modo de ser de criança. Essa insegurança podia facilmente ficar velada à criança e às pessoas do seu ambiente, escondida atrás de uma fachada de du­rezaautoritária ou inclusive totalitária; 2) a essa necessidade da mãe ou dos dois progenitores, correspondia uma surpreendente capacidade da criança de percebê-lo e de dar-lhe resposta intuitivamente; 3) em tal modo a criança se assegurava ‘o amor’ dos pais. Ela percebia que tinham necessidade dela e isso legitimava a sua vida e o seu existir” (MILLER, A. Il dramma dei bambino dotato e la ricerca del vero sé, Torino, Borin­ghieri, 1999, 16 s). Daqui vem a dinâmica instintiva de ajuda aos outros, mesmo na escolha da profissão, mas em forma perturbada, tendendo ao apagamento dos vazios afetivos que não ficaram resolvidos no curso da infância.

[xi] Cfr. CUCA, «Il matrimonio, ultimo simbolo di eternità dell’uomo occidentale», in Civ. Catt. 2011 II 431 433. Cfr. PHILIPS, A. I «no» che aiutatino a crescere, Milano, Feltrinelli, 1999, 47 s.

[xii] Cfr. GRIMAL, P. Mitologia, Milano, Garzanti, 2006, 475.

[xiii] KILEY, D. The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown up, New York, Avon Books, 1984, 26 s.

[xiv] Ivi, 23.

[xv] RECALCATI, M. «Dove sono finiti gli adulti?», cit., 56.

[xvi] POSTMAN, N. La scomparsa dell’infanzia, Roma, Armando, 1984, 156; cfr. OLIVERIO FERRARIS, A. La Síndrome Lolita. Perché i nostri figli crescono troppo in fretta, Rizzoli, 2008.

[xvii] GAUCHET, M. Il figlio del desiderio…, cit., 42; cursiva no texto. Cfr. BOUTINET, J. P.L’immaturité de la vie adulte, Paris, PUF, 1998; ID., Psychologie de la vie adulte, ivi, 2002; ANATRELLA, T. Interminables adolescences. La psychologie des 12/30 ans, Paris, Cerf-Cujas, 1998; LADAME, F. Gli eterni adolescenti, Milano, Salani, 2004.

[xviii] CATALUCCIO, F. M. Immaturità. La malattia del nostro tempo, Torino, Einaudi, 2004, 40.

[xix] SCALFARI, E. «Il padre che manca alla nostra società», in La Repubblica, 27 dicembre 1998.

[xx] Cfr. COOPER, D. La morte della famiglia. Il nucleo familiare nella società capitalistica, Torino, Einaudi, 1972.

[xxi] SCALFARI, E. «Il padre che manca alla nostra società», cit.

[xxii] ZOJA, L. Il gesto di Ettore. Preistoria, storia, attualità, scomparsa del padre, Torino Boringhieri, 2000, 115 s.

[xxiii] Cfr. GRIMAL, P. Mitología, cit., 476.

[xxiv] Cfr. SCHELER, M. Il risentimento nella edificazione delle morali, Milano, Vita e Pensiero, 1975, 53.

[xxv] ELIADE, M. La nascita mistica. Riti e simboli d’iniziazione, Brescia, Morcelliana, 1974, 24; cfr. tbm. ZOJA, L.: «A elevação da criança entre os Romanos servia ao nascimento psíquico do filho e do pai como pai» (Il gesto di Ettore …, cit., 247; cursiva no texto). De outra época e cultura, veja-se a descrição de MANDELA, N. culminante com o grito “Ndiyindoda! (‘Sou um homem!’)” (Lungo cammino verso la libertà, Milano, Feltrinelli, 2010, 35). Sobre os ritos de iniciação permanecem fundamentais os estudos de VAN GENNEP, A. I riti di passaggio, Torino, Boringhieri, 1981.

[xxvi] Cfr. RECALCATI, M. Cosa resta del padre? La paternità nell’’epoca ipermoderna, Milano, Cortina, 2011, 111-115.

[xxvii] Para ser mais preciso, os dois primeiros aspectos vêem a mãe como protagonista, o terceiro não redutível apenas à derrota edipiana, é próprio do pai e reflete o simbolismo mais complexo dos ritos de iniciação. Na realidade, ambos os pais também são fundamentais na diferente especificidade de suas intervenções, para a ajuda mútua que são chamados a dar-se, nas diferentes fases da vida dos filhos (cf. Cucci, G. Esperienza  religiosa e psicologia, Leumann [To] – Roma, Elledici – La Civiltà Cattolica, 2009, 79,98;. ID., La forza dalla debolezza. Aspetti psicologici dela vita spirituale, Roma, Adp, 2011, 121-133).

[xxviii] Cfr. RISÉ, C. Il padre, l’assente inaccettabile, Cinisello Balsamo (Mi), San Paolo, 2003, 14-24. C. CUCCI, “o pai é chamado a desenvolver um papel decisivo n avida de fé”, in Civ. Catt. 2009 III 118-127; “Il suicidio giovanile. Una drammatica realtà del nostro tempo”, ivi, 2011 II 121-134.

[xxix] RECALCATI, M. Cosa resta del padre? …, cit., 105-107. Cfr. CUCCI, G. «Il desiderio, motore della vita», in Civ. Catt., 2010 I 568-578.

[xxx] RECALCATI, M. “Dove sonno finiti gli adulti?”, cit., 57.

[xxxi] Cfr. ID., Cosa resta del padre? …, cit., 108 s.

[xxxii] “Na Telemachia o protagonista busca notícias do pai não só para saber onde era e para saber como era, mas, sobretudo, para conhecer a personalidade e desenvolver a si mesmo segundo aquele modelo» (PRIVITERA, G. A. Il ritorno del guerriero. Lettura dell’O­dissea, Torino, Einaudi, 2005, 57; cfr. HOMERO, Odisseia, Torino, Utet, 2005, 1. I, 83.111.115 s. 240; 1, IV, 317).

[xxxiii] ZOJA, L. Il gesto di Ettore, cit, 113 s; HOMERO, Odissea, cit., XVI, 148 s.

[xxxiv] “O astuto Odisseu, não apenas deliberou e em todas as partes provou o gran­de arco, como quando um homem experto em tocar citra e em cantar move facilmente a corda […] imediatamente moveu assim, sem esforço, o grande arco” (HOMERO, Odisseia, cit., XXI, 404-410).

[xxxv] ZOJA, L. Il gesto di Ettore…, cit., 305.