Pérolas aos porcos

Fonte:

https://padrepauloricardo.org/blog/as-perolas-jogadas-aos-porcos

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Não existe nada mais terrível que ver um grande tesouro afundado em um denso lamaçal. Por isso a advertência do Evangelho: “Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas” [1]. A pérola é algo muito precioso. A simples razão ensina ao homem que aquilo que é precioso deve ser guardado, tratado com bastante zelo e cuidado. Aos porcos, lança-se lavagem, não pedras preciosas; aos porcos, lançam-se as sobras, não aquilo que se tem em alta conta.

No mundo antigo, no entanto, certas pérolas jaziam afundadas na lama e foi o Cristianismo, com a verdade de sua doutrina e o vigoroso testemunho de seus adeptos, que recuperou a razão e a justiça então obscurecidas pelos pecados dos homens. Em tempos como os nossos, em que um malfadado feminismo prega ódio e desrespeito à religião, nada melhor que lembrar o respeito e a dignidade que a religião cristã devolveu às mulheres “em sua condenação do divórcio, do incesto, da infidelidade conjugal e da poligamia” [2].

O Império Romano foi escolhido por Deus para presenciar a “plenitude dos tempos” [3]. Era o ambiente apropriado para a visita de um Senhor preocupado mais com os enfermos e pecadores que com os saudáveis e justos [4]. De fato, a situação em que aí se encontravam os homens – e principalmente as mulheres – era degradante. As leis e escritos da época pressupunham “o direito de abandonar os filhos do sexo feminino” e a “a prerrogativa [dos homens] de determinar às esposas e amantes que praticassem o aborto” [5]. Uma sociedade permissiva como a antiga – em que o divórcio era plenamente acessível e a poligamia amplamente praticada – dava à figura masculina poder de subjugar as mulheres, tornando-as mais escravas que seres humanos de verdade.

Assim se encontrava o mundo antigo – com louváveis exceções, verificadas num e noutro lugar – até a chegada de Cristo. Com Ele, que, no seio do Pai, escolheu uma mulher para ser a mais virtuosa criatura que a terra viria a conhecer; com Ele, que, ressuscitado, apareceu primeiro a mulheres [6]; com Ele, que, pela boca de São Paulo, abolia todas as distinções entre as pessoas – já não havia mais “judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher” [7], mas todos eram um só em Cristo; com Ele, restaurou-se a esperança à feminilidade então tão suja e obscurecida pelo pecado e pela vileza humana. Historicamente, é inegável: “a mulher em si mesma (…) nunca foi tão exaltada como no cristianismo” [8].

A tradição cristã impregnou na cultura ocidental a consciência de que a mulher é muito mais que seus atributos físicos e naturais; que a mulher não é um pedaço de carne a ser idolatrado, mas um todo de humanidade através do qual é possível vislumbrar a eterna beleza do Criador. Ainda hoje, mulheres que aceitaram a doutrina cristã sobre a modéstia dão testemunho da leveza, da delicadeza e da simplicidade da autêntica beleza feminina.

“[A mulher] tem outras belezas muito mais excelentes e nobres: a beleza da sua inteligência, a beleza dos seus sentimentos e, sobretudo, a beleza da sua virtude e do seu caráter. Não se pode prescindir desta beleza espiritual, sob pena de rebaixar e degradar a mulher à condição vil dos irracionais. Seria o mesmo que entregar uma criatura humana, a pretexto de que é composta de carne e ossos, aos cuidados e ao laboratório do veterinário” [9].

Por isso, não é possível olhar para certas reivindicações de movimentos ditos “progressistas” senão com ceticismo e vergonha. Feministas que vão às ruas pelo direito de ser “vadias” ou que se proclamam “prostitutas” [10] podem estar fazendo o que for, menos defendendo a dignidade da mulher. Rebaixar-se à disposição aparentemente “livre” dos próprios corpos – como se fossem apenas matéria –, expor totalmente as próprias pernas e partes íntimas ao público – como se fossem pedaços de carne num açougue –, pedir o “direito” de matarem os próprios filhos que são concebidos em seu ventre – como se esses fossem mera “extensão” de seus membros –, não só é desconsiderar o alto valor que têm as mulheres – muito maior que o preço das pérolas e das joias mais caras! É como entregá-las “aos cuidados e ao laboratório do veterinário”; é transportá-las ao nível dos animais; é, real e lamentavelmente, lançá-las aos porcos.

Marcha das vadias

O que querem essas senhoritas – que dizem “representar” as mulheres – é a volta à Antiguidade, no mais horrível e decadente de seus aspectos; a volta ao aborto e ao infanticídio, ao divórcio e à poligamia, à degradação sexual e à permissividade dos costumes… na ilusão de que tudo isso as liberte. Só que a história é uma grande mestra: esses instrumentos que as feministas de hoje consideram “libertadores” são, miseravelmente, as mesmas armas que as prenderam à escravidão noutros tempos. Não as tornam “mais mulheres”; au contraire, colocam-nas abaixo de sua própria natureza e vocação; lançam-nas, terrivelmente, aos cães e aos porcos.

Corruptio optimi pessima est, diz um adágio latino. A corrupção dos ótimos é péssima, a corrupção de quem deveria, por sua alta dignidade, ser melhor, é ainda pior que as outras corrupções. A corrupção da mulher, pelo feminismo, deforma-a a ponto de torná-la irreconhecível… como uma pérola escondida em um chiqueiro, como uma joia cujo brilho é ofuscado por uma porção de lama.

Ainda hoje – e especialmente hoje –, ressoam firmes as palavras de Cristo: “Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas”. Que as mulheres tomem consciência do grande dom e do alto valor que possuem – e correspondam com coragem à sua dignidade.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

A imagem da mulher medieval

Prazer, meu nome é COMUNISMO!

O Brasil está mal, muito mal.

Por Ricardo da Costa

Retrato de mulher (c. 1450)

No ano passado (2012) fui convidado pela Profa. Dra. Luciana Eleonora de F. Calado Deplagne a proferir conferência em um evento na Universidade Federal da Paraíba: o “II Seminário de Estudos Medievais da Paraíba – Sábias, Guerreiras, Místicas: homenagem aos 600 anos de Joana D’Arc”. Pois bem. Preparei o trabalho, pesquisei fontes primárias e a bibliografia sobre o tema – diretamente relacionado ao evento. Ocorre que no dia da minha conferência, algumas feministas presentes no local não gostaram do conteúdo de minha apresentação.

O que aconteceu então é inacreditável: os Anais do evento foram publicados e meu texto não. Sequer minha presença foi atestada. É como se eu não tivesse ido. Sequer tiveram a educação de me dizer algo. Que deselegância! A universidade brasileira chegou ao fundo do poço: não existe ambiente para confrontação de idéias.

O trabalho “deletado” do evento foi esse:

http://www.nethistoria.com.br/secao/artigos/1102/a_imagem_da_mulher_medieval_em_o_sonho_1399_e_curial_e_guelfa_c_1460

Detalhe: eu fui o ÚNICO conferencista que chegou no dia COM O TEXTO PRONTO. Li o texto, e a platéia acompanhou no telão!

Resumo: Até quando a História será refém dos grupos políticos de pressão que não cessam de reinventar um passado que nunca existiu? A História das mulheres, particularmente a história da mulher medieval, é uma das que mais sofre com o que o historiador britânico Eric Hobsbawm (1917- ) chamou de mitologização do passado. Após mais de três décadas do surgimento dessa importante vertente historiográfica, a História do Gênero, já é hora de olharmos para a mulher medieval com olhos mais ponderados, e deixarmos para trás o discurso de vitimização feminina. Com base nas propostas metodológicas de leitura das fontes literárias medievais feita pelo historiador espanhol José Enrique Ruiz-Domènec (1948- ), a proposta dessa palestra é apresentar e analisar a imagem feminina em duas obras literárias catalãs: O Sonho (1399) e Curial e Guelfa (c. 1460). Nelas, as mulheres são representadas em dois discursos (O Sonho) e protagonizam as aventuras cavaleirescas de Curial na novela realista catalã da segunda metade do século XV.