Infância espiritual: Ser filhos no Filho

“E serei para vós um pai e vós sereis meus filhos e filhas – diz o Senhor todo-poderoso” (2Cor 6, 16b-18).

O catecismo de São Pio X pergunta por que a primeira Pessoa da S. Trindade se chama “Pai”. Primeiramente, por gerar eternamente a segunda Pessoa da Trindade, o Filho, que se encarnou no seio da Virgem Maria, Nosso Senhor Jesus Cristo. Depois, por ter adotado os batizados como filhos, infundindo em nós a vida divina. E, em sentido amplo, toda a criação é obra de Deus.

O segredo da santidade é aprender a ser filhos como Jesus Cristo o foi.

No Antigo Testamento, a percepção de Deus como pai é muito reduzida. Nos evangelhos, é o centro da vida de Jesus. Abbá! Na apresentação solene de Jesus, que define sua personalidade e missão, o Batismo no rio Jordão, O Espírito Santo pousou sobre Ele e ouviu-se a voz do Pai: Tu és o meu Filho muito amado (cf. Mc 1, 9-12). Nenhum título, sacerdote, profeta ou rei, Senhor, Messias etc., é mais importante do que “Filho”. Quando ensina a rezar, diz: “Pai Nosso”. Quando sofre no horto, Pai, não se faça a minha, mas a tua vontade”… há numerosas parábolas em que Deus é representado como pai. É-nos particularmente familiar a figura do nosso Pai-Deus na parábola do filho pródigo.

Nosso Senhor diz aos seus Apóstolos: Se vos não converterdes e vos não tornardes como meninos, não entrareis no reino dos céus (cf. Mt 18, 1-6). Pelo Batismo, a vida divina passa ser a nossa, por assim dizer, o sangue de Deus corre em nossas veias. Temos de ser filhos por graça, mas também de fato. “Recebestes o espírito de filiação adotiva, por ele clamamos: Abba, Pai! O mesmo Espírito dá testemunho a nosso espírito de que somos filhos de Deus” (Rm 8, 15-16).

Na nossa cultura é comum se ouvir “também sou filho de Deus”. Mas, há níveis de compreensão disso. A experiência mística de nosso Padre no bonde. “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1Jo 3, 1a.2)

Uma compreensão profunda nos encherá de paz. “Bem aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9).

Temos de ser como Jesus em Belém, antes de Nazaré. “Diante de Deus, que é Eterno, tu és uma criança menor do que, diante de ti, um garotinho de dois anos. E, além de criança, és filho de Deus. – Não o esqueças” (Caminho, 860).

Vida de infância não é infantilidade. Também não é passividade. É um modo de nos relacionarmos com Deus onde não há espaço para a mentira e a autossuficiência. Não é psicologia: se imaginar como criança ou algo semelhante, mas é ter consciência das proporções entre Deus e eu: eus tem tudo e eu, nada. Ele eterno, poderoso, sábio e amoroso e eu, dependente de tudo isso. Nada posso por conta própria. Os frutos são muitos: humildade, alegria, bondade, simplicidade e tantos benefícios quantos o Pai nos queira conceder.

As semelhanças entre a infância espiritual e natural são patentes. Quais as qualidades inatas das crianças? Em geral, são simples, sem nenhuma duplicidade, ingênuas, cândidas; não representam, não se mascaram; mostram-se tal como são. Ademais, têm consciência da sua deficiência, pois têm de receber tudo dos seus pais, o que as dispõe à humildade. São levadas a crer simplesmente em tudo o que dizem as suas mães, a depositar uma confiança absoluta nelas e a amá-las de todo o seu coração, sem cálculo.

Uma segunda grande diferença é indicada por São Francisco de Sales: na ordem natural, quanto mais o filho cresce, mais ele tem de se tornar auto-suficiente, pois um dia o seu pai e a sua mãe lhe faltarão. Pelo contrário, na ordem da graça, quanto mais o filho de Deus cresce, mais ele compreende que não poderá jamais bastar-se a si próprio e que dependerá sempre intimamente de Deus. Quanto mais ele cresce, mais ele deve viver da inspiração especial do Espírito Santo, que vem suprir pelos seus dons a imperfeição das nossas virtudes, de modo que, no fim, o filho de Deus torna-se mais passivo sob a ação divina do que entregue à sua atividade pessoal e no fim entra no seio do Pai, onde encontrará a beatitude por toda a eternidade.

Vejamos agora as principais virtudes (cf. Garrigou-Lagrange, “La vie spirituelle” número 302, dez. 1945) que se manifestam nela.

De início, a SIMPLICIDADE, a ausência total de duplicidade.

“Chamam-se crianças não pela sua idade, mas pela simplicidade do seu coração” (São João Crisóstomo, em Catena Aurea, vol. III, pág. 20).

“Como a criança que vos proponho como exemplo: ela não pensa uma coisa e diz outra; assim deveis atuar vós também, porque, se não tiverdes essa inocência e pureza de intenção, não podereis entrar no Reino dos céus” (São Jerônimo, Comentário ao Evangelho de São Mateus, 3, 18, 4).

A mentira é a arma de quem se sente desprotegido. A criança está bem protegida.

“Lançai sobre Ele todas as vossas preocupações, porque Ele cuida de vós” (1Pe 5, 7).

HUMILDADE. “quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?” (1Cor 4.7).

Sem mim, não há nada que possais fazer. A imagem dos pescadores puxando a rede e a criança que auxilia.

FÉ. Conhece a sua ignorância. Sabe que não é dona, mas filha da verdade.

Não pretende ganhar todas as discussões; só as importantes.

Virtudes escondidas e comuns X aparentes e extraordinárias. Ocultar-se e desaparecer.

A CARIDADE. “Dá-me, meu filho, teu coração” (Pr 23, 26). “DESCANSAI na filiação divina. Deus é um Pai cheio de ternura, de infinito amor” (Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, 150).

“Vede como se amam; eles descobriram que são irmãos” (Tertuliano, Apologético, 34, 7).

ALEGRIA: “Porque Maria é Mãe, a sua devoção nos ensina a ser filhos: a amar deveras, sem medida; a ser simples, sem essas complicações que nascem do egoísmo de pensarmos só em nós; a estar alegres, sabendo que nada pode destruir a nossa esperança. O princípio do caminho que leva à loucura do amor de Deus é um amor confiado a Maria Santíssima” (S. Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 143).

A criança cai com freqüência, mas levanta-se com prontidão e ligeireza; quando se vive vida de infância, as próprias quedas e fraquezas são meio de santificação. O amor de uma criança é sempre jovem, porque esquece com facilidade as experiências negativas; não as armazena no seu interior, como faz quem tem alma de adulto.

“Fazer-se criança: renunciar à soberba, à auto-suficiência; reconhecer que, sozinhos, nada podemos, porque necessitamos da graça, do poder do nosso Pai-Deus para aprender a caminhar e para perseverar no caminho. Ser criança exige abandonar-se como se abandonam as crianças, crer como crêem as crianças, pedir como pedem as crianças” (S. Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 143).

MAGNANIMIDADE: “Ser pequeno. As grandes audácias são sempre das crianças. – Quem pede… a lua? – Quem não repara nos perigos, ao tratar de conseguir o seu desejo? – «Colocai» numa criança «dessas» muita graça de Deus, o desejo de fazer a Vontade dEle, muito amor a Jesus, toda a ciência humana que a sua capacidade lhe permita adquirir… e tereis retratado o caráter dos apóstolos de hoje, tal como indubitavelmente Deus os quer” (S. Josemaría Escrivá, Caminho, n. 857).

Propósito: “Não podemos ser filhos de Deus só de vez em quando, embora haja alguns momentos especialmente dedicados a considerá-lo, a compenetrarmo-nos desse sentido da nossa filiação divina que é a essência da piedade” (Josemaría Escrivá, Questões atuais do cristianismo, 3ª ed., Quadrante, São Paulo, 1986, n. 102).

Para adquirir o dom da Piedade (cf. Royo Marin, Antonio, Teologia de la perfección cristiana, 3. ed. Madrid : Católica, 1962, pag 526): Meios de fomentar esse dom: além dos meios gerais, 1) Cultivar em nós o espírito de filhos adotivos de Deus; 2) Cultivar o espírito de fraternidade universal com todos os homens; 3) Considerar todas as coisas, ainda que puramente materiais, como pertencentes à casa do Pai, que é a criação inteira; 4) Cultivar o espírito de total abandono nos braços de Deus;

“Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e prudentes e as revelastes aos pequeninos” (Mt 11, 25).

Eva

Fonte: http://sumateologica.wordpress.com/2011/09/29/eva/

John Milton, Paraíso PerdidoCanto VIII

 

Foi grande o golpe e em um instante a cura.
Deus coas mãos a costela vai moldando,
Té que uma criatura dela forma
Mui semelhante a mim, mas de outro sexo.
Pareceu-me tão bela e tão amável,
Que tudo quanto dantes no Universo
Julgara belo agora o crê mediano –
Ou que do Mundo as formosuras todas
Em corpo tão gentil se resumiam,
Principalmente nos benignos olhos
Que desde então mimosos infundiram
Dentro em meu coração tanta doçura,
Qual nunca exp’rimentado havia dantes:
Do porte seu também logo exalaram
O espírito de amor, graças, deleites
Que em toda a Natureza se esparziam.
Nisto ela foge e me deixou em trevas:
De repente acordei na ânsia de acha-la
Ou de carpir sem causa a perda sua,
Abjurando prazer que não fosse ela.
No entanto, quando menos a esperava,
Não longe a vi, tal como a vira em sonhos
Adornada de quanto o Céu e a Terra
Para fazê-la amável possuíam.
Ei-la que vem: condu-la o Autor celeste,
Guiando-a com sua voz, porém não visto:
Dos ritos conjugais vem informada,
Da santidade e candidez das núpcias:
Nos olhos traz o Céu, no andar as graças,
O amor e o brio nas maneiras todas.
Em tantas perfeições eu enlevado,
A erguer assim a voz fui compelido:
“Ela volta!… Dissipa-se o meu susto!
“Cumpres quanto disseste, é Deus benigno,
“Generoso doador de coisas belas;
“Mas esta sobrepuja as outras todas
“Que não se podem comparar com ela.
“Nela me estou a ver; dos meus por certo
“Seus ossos são, da minha carne a sua:
“Do homem tirada foi, mulher se chama:
“Por ela pai e mãe ele abandona,
“E esposo se une à esposa idolatrada –
“Em deliciosa união ambos formando
“Um coração, uma alma, uma só vida.”
Prestava ela atenção às minhas vozes:
Acabando de ser por Deus formada,
Inda toda pudor, toda inocência,
Já conhecia com clareza exata
O grande preço das virtudes suas;
Que deve ser com mimo requestada
E não ganhada sem que muito a roguem;
Que não deve óbvia ser, nem ser esquiva,
Mas recatada estar, assim causando
Mais vivo amor, mais ávido apetite:
Ou, por melhor dizer, a Natureza
Nos pensamentos tanto lhe influía,
Lida que isentos da mais leve mancha,
Que ela me olhou modesta e retirou-se.
Eu fui seguindo-a: percebeu em breve
Com que respeito e amor eu me portava,
E não tardou com majestoso obséquio
Em ceder à razão que me assistia.
Ao nupcial aposento a vou guiando,
Corada, semelhante à manhã bela:
Nessa hora inteiro o Céu e os astros todos
Sobre nós mandam mais seleto influxo,
E nos decoram com fulgor mais vivo:
Mais ataviados de verdura e flores
Dão-nos os parabéns montes e vales;
Suave e alegre concerto as aves tecem;
Frescas as virações, meigas as brisas,
Nossa união pelas árvores murmuram,
E coas asas brincando nos atiram
De arbustos próprios rosas e fragrâncias,
Até que o rouxinol entoou solene
O canto do himeneu, e assim convida
Da tarde a estrela a que de pronto acenda,
No arbóreo cimo da montanha sua,
Das sacras núpcias o brilhante facho.
Assim te hei relatado a minha história,
Levando-a té ao ápice da dita
Que neste Paraíso estou gozando:
E cumpre confessar que – achando eu gosto
Em tudo o mais de que se adorna o Mundo,
Quais os passeios, plantas, frutos, flores,
A música das aves, tudo em suma
Que delicadamente me comove
O tato, o gosto, o ouvido, a vista, o cheiro,
Por nada sinto na alma abalo vivo,
Desejo ígneo nenhum, goze ou não goze;
Mas outro é meu sentir por tal beleza.
Vejo-a abalado de transporte sumo,
Cheio de igual transporte a toco e apalpo;
Ardo por ela em comoção estranha,
Minha única paixão conheço nela:
Quaisquer outros prazeres não me agitam,
A todos eles superior me julgo;
Porém somente me confesso fraco
Ante os encantos, ante o mover d’olhos,
Com que a beleza triunfar consegue.
Ou pobre a Natureza em mim se mostra,
Fazendo-me imperfeito a assim não apto
De tal objeto a repelir encantos:
Ou mais talvez tirou do que bastava
Do meu lado, e essa falta me enfraquece:
Ou, quando menos, deu em demasia
Ornatos à mulher que, não obstante
Ser no seu interior menos sublime
Mostra por fora as perfeições mais belas.
Não que eu deixe de ver que abaixo fica
No desígnio essencial à Natureza
E da alma nas internas faculdades,
Que são na espécie humana as mais distintas;
E que também por fora iguala menos
De quem nos fez a majestosa imagem,
E designa com menos expressão
O caráter de império impresso no homem,
Com que ele as outras criaturas rege,
Contudo, quando dela me aproximo,
Tão amável a julgo, tão perfeita,
Tão ciente de si mesma e extreme em tudo,
Que quanto ela pretende, ou faz, ou fala,
O mais discreto me parece sempre,
O melhor, o mais certo, o mais virtuoso:
À vista dela a ciência a mais profunda
Titubeia, desmente a usada força;
A mais grave e ilustrada sisudez
Desconcerta-se e mostra-se loucura.
Como se antes de mim fosse ela feita
E não depois, qual foi por causa minha,
De autoridade e de razão se adorna:
E, para tudo ter, seu porte amável,
Candura e graças todo, em si ostenta
Nobreza de alma, pensamentos grandes,
Dela em torno espalhando reverência
Que faz o ofício ali de guarda de anjos

A cultura contraceptiva tira o poder econômico das mulheres

Kathleen Gilbert
14 de abril de 2010 (Notícias Pró-Família) — A revolução contraceptiva tem, ao contrário de sua imagem, tirado as riquezas e o poder das mulheres e é na realidade “profundamente sexista”, de acordo com a análise de um economista.
No artigo, intitulado “Bitter Pill” (Pílula Amarga) e que aparece na edição mais recente da revista First Things, o economista Timothy Reichert afirma que dá para se articular com eficácia argumentos contra a contracepção “usando a linguagem da ciência social, que é a linguagem da cultura predominante”. Em vez de formular o debate como “um argumento de fé e religião conversando sobre assuntos que vão além da esfera uma da outra”, aqueles que se opõem à contracepção podem formular o debate em termos dos danos objetivos que a contracepção causa à sociedade.
De acordo com Reichert, uma importante fonte do problema é que a contracepção separa o “mercado” tradicional de casamento em dois mercados separados: um mercado para o casamento, e um mercado para o sexo livre, criado graças à significativa redução de custo do sexo desacoplado da gravidez. Mas, diz ele, embora essa situação não seja intrinsecamente má de uma perspectiva econômica, se há “desequilíbrios” nos dois mercados então “o ‘preço’ do casamento ou do sexo pende em favor do homem ou da mulher”.
Ao passo que no passado, diz ele, “o mercado de casamento era, por definição, constituído pelo mesmo número de homens e mulheres, não há garantia de que logo que é separado em dois mercados, os homens e as mulheres se combinarão no mercado de sexo e casamento de tal maneira que números aproximadamente iguais de cada sexo ocuparão cada mercado”.
No final das contas, Reichert sustenta, as mulheres terminam entrando no mercado de casamento em números maiores do que os homens, devido a seu interesse natural de criar filhos num lar estável. Enquanto isso, o economista observa que os homens, que podem se reproduzir muito mais tarde na vida do que as mulheres e são compelidos pela natureza a investir muito menos no processo de gravidez, enfrentam bem menos incentivos para mudar de um mercado para o próximo.
“O resultado é fácil de ver”, escreve Reichert. Embora as mulheres tenham um poder de negociação no mercado sexual como a “mercadoria escassa”, escreve ele, “o quadro é muito diferente logo que as mesmas mulheres fazem a troca para o mercado de casamento”: “A relativa escassez de homens casáveis significa que a competição entre mulheres por homens casáveis é mais feroz do que a competição que as mulheres de gerações anteriores enfrentavam. Com o tempo, isso significa que os ‘acordos que elas fecham’ ficam piores para elas e melhores para os homens”.
O casamento como uma instituição, escreve ele, subsequentemente perdeu seu caráter contratual de promover o bem-estar das mulheres e seus filhos, se tornando em vez disso algo que é “mais frágil e se assemelha a uma troca no mercado de compra e venda à vista”. O resultado é que “os homens tomam mais e mais dos ‘ganhos de negócio’ que o casamento cria, e as mulheres tomam menos e menos”.
Reichert enumera alguns efeitos colaterais adversos e danosos dessa redistribuição, inclusive maiores índices de divórcio, um mercado de moradia movido por marido e esposa que trabalham fora, infidelidade mais fácil e uma demanda maior de aborto.
Com relação ao aumento de aborto, Reichert diz que as mulheres que têm investido numa carreira futura, de uma maneira previsível, “precisarão recorrer a abortos” caso a contracepção falhe.
“O custo de hoje de uma gravidez indesejada não é um casamento forçado”, escreve ele. “Em vez disso, o custo é a perda de tremendos investimentos em capital humano direcionado para a participação do mercado de trabalho durante as primeiras fases da vida dos bebês. Isso aumenta a demanda de abortos (que impedem a perda desse capital humano)”.
O impacto nos filhos, ele argumenta, inevitavelmente reflete o impacto em suas mães: “Considerando que o bem-estar das mulheres em grande parte determina o bem-estar das crianças, essa redistribuição tem em parte sido ‘financiada’ por uma perda de bem-estar das crianças”, escreve o economista. “Em outras palavras, quanto pior é a situação das mulheres, pior é a situação dos filhos que elas sustentam. Na dedução final, as mulheres e as crianças são os grandes perdedores na sociedade contraceptiva”.
Reichert conclui que a redistribuição de bem-estar efetuada pela contracepção é “profunda — e alarmante”.
“As sociedades são estruturadas ao redor de muitos objetivos, mas uma de suas principais razões de existir é a proteção dos fracos”, escreve ele. “Isso significa os velhos, os jovens, a gravidez e as mulheres que criam filhos. A contracepção mina essa obrigação fundamental e, ao fazer isso, mina a legitimidade do contrato social.
“Quando a estrutura social de uma sociedade é direcionada para transferir o bem-estar dos fracos para os fortes, em vez do contrário, não conseguirá sobreviver em longo prazo”.
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Veja também este artigo original em inglês:http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/apr/10041510.html
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http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/04/cultura-contraceptiva-tira-o-poder.html

Ser mãe é "a maior profissão da terra" afirmam esposas de famílias numerosas

CINCINNATI, 06 Abr. 11 (ACI) .- Na edição de 4 de abril do site Notícias Pró-Família, seis mães norte-americanas, que não só têm a missão de cuidar dos 44 filhos que têm entre si, falaram sobre a sua missão de divulgar a beleza do que elas consideram “a maior profissão da terra”: o papel de mãe ante os falsos argumentos feministas que consideram que a maternidade diminui a realização da mulher.
Unidas pela dinâmica líder pró-vida e mãe de nove filhos, Jenn Giroux, essas seis mulheres começaram a viajar pelos Estados Unidos em fevereiro de 2010, com uma apresentação que elas chamam de “Falando do Papel de Mãe” na qual dão um testemunho para mulheres em faculdades, em conferências femininas e até em colégios, apresentando uma perspectiva “contracultural” do papel de mãe.Fundadora e ex-diretora executiva de Human Life International America e fundadora da Associação de Famílias Grandes (AFG), a enfermeira diplomada Jenn Giroux possui vários títulos, mas considera seu papel de mãe como a realização suprema. Conhecida por suas palestras e artigos sobre os danos espirituais e físicos da contracepção, o plano de Giroux para as apresentações “Falando do Papel de Mãe” evoluiu a partir de suas palestras públicas.

“Há uma necessidade imensa no mundo de mostrarmos o lado positivo do papel das mães e mais uma vez elevar o papel das mães ao respeito que merece”, Giroux disse numa entrevista telefônica para LifeSiteNews.com (cuja versão em português se chama Notícias Pró-Família) enquanto estava viajando com suas cinco amigas para um compromisso de palestra. “É a maior profissão da terra para as mulheres e tem sido completamente denegrida pelo movimento feminista”.

“Falando do Papel de Mãe” teve sua apresentação de estreia na cidade de Notre Dame em fevereiro passado. Desde então, as seis mães realizaram reuniões em Missouri, Nebraska e Indiana e suas próximas reuniões estão agendadas para Ohio, Kansas e Washington. “Tentamos ir a todos os lugares para onde somos convidadas”, disse Giroux, que recentemente começou comercializar as palestras.

Mães “normais”

“Tentamos dar a elas um quadro muito realista do que é ter uma família grande”, disse Giroux ao LifeSiteNews representando uma variedade de estilos de vida, desde mães que trabalham fora a mães que permanecem no lar.

Onde os meios de comunicação estão constantemente bombardeando as mulheres com a ideia de que elas não deveriam ter muitos filhos porque arruinará suas carreiras, mudará sua aparência física ou alterará seu estilo de vida tranquilo, Giroux e sua equipe estão ali para levantar-se como “contracultural”.

“Estamos tentando deixá-las saber que as mães que aparecem na TV são completamente anormais”, disse Giroux. “O grande segredo de ter filhos perdeu-se” por meio da contínua mentira do público secular.

Em tom de risada, ela narra os testemunhos das moças universitárias que olham para ela espantadas ao saber que ela tem nove filhos e responde: “Caramba! Mas você é tão normal!”

“Estamos respondendo às jovens: ‘Sabem de uma coisa, meninas? Vocês podem ter tudo o que querem. Podem cuidar de si, ter filhos, se sair bem, serem mães ativas, trabalharem fora de casa e terem um casamento forte e terem uma grande família'”, disse Giroux.

“Entregue tudo a Deus”

Para uma sociedade que apoia a ideologia de um ou dois filhos, essas seis mães desafiam as mulheres a “entregar tudo a Deus” e serem abertas às ilimitáveis bênçãos provenientes dEle.

Giroux disse que frequentemente muitas mulheres expressam para ela remorso por terem tido apenas um filho ou o sofrimento que elas têm de serem filha única. Ela cita o Papa João Paulo II, dizendo: “O maior presente que você pode dar a seu filho é um irmão”.

“Todos nós dizemos que o casamento e o papel de mãe são estressantes e têm momentos desafiadores, mas as bênçãos em muito superam as dificuldades. Tivemos momentos muito assustadores onde tivemos de confiar em Deus em nosso papel de mãe e como resultado fomos abençoadas com os filhos que temos”.

Para saber mais sobre o testemunho destas mulheres e sua experiência de maternidade, visite o site: 
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2011/04/maior-profissao-da-terra-6-maes.html

O mistério da maternidade. A vida e a morte

Algumas citações de “João Paulo II. Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de agosto de 1988), n. 18-19″.



Maternidade

18. Tanto o homem como a mulher — é a única criatura na terra que Deus quis por si mesma: é uma pessoa, é um sujeito que decide por si. Ao mesmo tempo, o homem « não pode se encontrar plenamente senão por um dom sincero de si mesmo ». 

Comentário: «A Glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem é a visão de Deus» (Santo Ireneu). Não só os pais se alegram e se orgulham de um novo filho, Deus também se alegra e se orgulha. Nasce um ser que tem por fim mais perfeito a visão face-a-face com Deus, seu Criador.

A maternidade é fruto da união matrimonial entre um homem e uma mulher, do « conhecimento » bíblico que corresponde à « união dos dois numa só carne » (cf. Gên 2, 24) e, deste modo, ela realiza — por parte da mulher — um especial « dom de si mesma » como expressão do amor conjugal, pelo qual os esposos se unem entre si de modo tão íntimo que constituem « uma só carne ». O « conhecimento » bíblico realiza-se segundo a verdade da pessoa só quando o dom recíproco de si não é deformado nem pelo desejo do homem de tornar-se « senhor » da sua esposa (« ele te dominará »), nem pelo fechar-se da mulher nos próprios instintos (« sentir-te-ás atraída para o teu marido »: Gên 3, 16).

Comentário: “Conhecer” o outro significa acolher e respeitar o mistério de sua pessoa. Muito diferente de se tratar o cônjuge como mero objeto ou instrumento sem vida ou consciência. Conhecer sexualmente alguém supõe o compromisso de empenhar a vida como dom para o outro. Só no dom total de si de um para com o outro há o “conhecimento” bíblico. Meio comprometimento com o outro não é verdadeiro compromisso: ninguém dá apenas 80% de seu coração, ou dá todo ou não o entrega. Se entende o motivo de que tantos estejam descrentes do amor: querem um amor sem compromisso. Sem responsabilidade não há amor, sem amor não há compromisso.

O dom recíproco da pessoa no matrimônio abre-se para o dom de uma nova vida, de um novo homem, que é também pessoa à semelhança de seus pais. A maternidade implica desde o início uma abertura especial para a nova pessoa: e precisamente esta é a « parte » da mulher. Nessa abertura, ao conceber e dar à luz o filho, a mulher « se encontra por um dom sincero de si mesma ». O dom da disponibilidade interior para aceitar e dar ao mundo o filho está ligado à união matrimonial, que — como foi dito — deveria constituir um momento particular do dom recíproco de si por parte tanto do homem como da mulher. A concepcão e o nascimento do novo homem, segundo a Bíblia, são acompanhados das seguintes palavras da mulher-genetriz: « Adquiri um homem com o favor de Deus » (Gên 4, 1). A exclamação de Eva, « mãe de todos os viventes », repete-se toda vez que vem ao mundo um novo homem e exprime a alegria e a consciência da mulher na participação do grande mistério do eterno gerar. Os esposos participam do poder criador de Deus!

Comentário: A maternidade implica em abrir-se a alguém. Sabe-se o quanto uma mãe se investe psicologicamente numa criança que está sendo gerada em seu seio. A criança é dela e a criança, por sua vez, tem o direito à sua mãe. Todo o carinho que a mãe tem por seu filho tem repercussões muito concretas, mesmo durante a gestação. A criança “sente” os efeitos desse amor. Sabe-se que também algumas mães tem sentimentos de rejeição e não se deve culpá-las, pois isso deve-se muitas vezes a processos químicos e psicológicos sobre o qual a mãe não tem controle. Podemos ter a convicção de que a gestação é um momento de grande alegria: « Adquiri um homem com o favor de Deus » (Gên 4, 1). E mesmo que se essa criança não viesse à luz ou sobrevivesse por pouco tempo, ela é eternamente grata pelo fato de ter sido desejada. Esse bebezinho pode dizer para Deus como no salmo, “protegei-me qual dos olhos a pupila e guardai-me, à proteção de vossas asas” (Sl 16, 8). Nada há com que se tenha mais cuidado do que com a pupila dos olhos e assim Deus a guarda e a envolve com suas asas. Toda a criança já tem o seu anjo da guarda, desde a concepção. Vemos o arcanjo Gabriel anunciando à Maria a concepção do Cristo. E mais tarde, anjos consolando Jesus depois de tentações e no horto do Getsêmani. Assim também seu anjo da guarda envolve esse filho e o conduz à visão de Deus.


A maternidade da mulher, no período entre a concepção e o nascimento da criança, passa por um processo biofisiológico e psíquico que hoje é melhor conhecido do que no passado, e é objeto de muitos estudos aprofundados. A análise científica confirma plenamente o fato de que a constituição física da mulher e o seu organismo comportam em si a disposição natural para a maternidade, para a concepção, para a gestação e para o parto da criança, em consequência da união matrimonial com o homem. Ao mesmo tempo, tudo isso corresponde também à estrutura psicofísica da mulher. Tudo quanto os diversos ramos da ciência dizem sobre este assunto é importante e útil, conquanto não se limitem a uma interpretação exclusivamente biofisiológica da mulher e da maternidade. Uma tal imagem « reduzida » andaria de par com a concepção materialista do homem e do mundo. Nesse caso, ficaria infelizmente perdido o que é verdadeiramente essencial: a maternidade, como fato e fenômeno humanos, explica-se plenamente tendo por base a verdade sobre a pessoa. A maternidade está ligada com a estrutura pessoal do ser mulher e com a dimensão pessoal do dom: « Adquiri um homem com o favor de Deus » (Gên 4, 1). O Criador concede aos pais o dom do filho. Por parte da mulher, este fato está ligado especialmente ao « dom sincero de si mesma ». As palavras de Maria na Anunciação: « Faça-se em mim segundo a tua palavra », significam a disponibilidade da mulher ao dom de si e ao acolhimento da nova vida.

Comentário: Não nasce só um “bichinho”; nasce uma pessoa humana: digna de respeito e cuidado. Todos aqueles que cuidam da vida nascente, pais, médicos, enfermeiros, devem ver claramente que toda a sensibilidade humana dispensada a essas vidas não é em vão.


Na maternidade da mulher, unida à paternidade do homem, reflete-se o mistério eterno do gerar que é próprio de Deus, de Deus uno e trino (cf. Ef 3, 14-15). O gerar humano é comum ao homem e à mulher. E se a mulher, guiada por amor ao marido, disser: « dei-te um filho », as suas palavras ao mesmo tempo significam: « este é nosso filho ». Contudo, ainda que os dois juntos sejam pais do seu filho, a maternidade da mulher constitui uma « parte » especial deste comum ser genitores, aliás a parte mais empenhativa. O ser genitores — ainda que seja comum aos dois — realiza-se muito mais na mulher, especialmente no período pré-natal. É sobre a mulher que recai diretamente o « peso » deste comum gerar, que absorve literalmente as energias do seu corpo e da sua alma. É preciso, portanto, que o homem seja plenamente consciente de que contrai, neste seu comum ser genitores, um débito especial para com a mulher. Nenhum programa de « paridade de direitos » das mulheres e dos homens é válido, se não se tem presente isto de um modo todo essencial.

Comentário: não é o “teu filho”, mas o “nosso filho”. Nenhuma mulher concebe (ou deve conceber) sozinha. Se há uma mãe, há um pai. Ambos compartilham do amor e da responsabilidade pelo filho. É um compromisso sagrado! 

A maternidade comporta uma comunhão especial com o mistério da vida, que amadurece no seio da mulher: a mãe admira este mistério, com intuição singular « compreende » o que se vai formando dentro de si. A luz do « princípio », a mãe aceita e ama o filho que traz no seio como uma pessoa. Este modo único de contato com o novo homem que se está formando cria, por sua vez, uma atitude tal para com o homem — não só para com o próprio filho, mas para com o homem em geral — que caracteriza profundamente toda a personalidade da mulher. Considera-se comumente que a mulher, mais do que o homem, seja capaz de atenção à pessoa concreta, e que a maternidade desenvolva ainda mais esta disposição. O homem — mesmo com toda a sua participação no ser pai — encontra-se sempre « fora » do processo da gestação e do nascimento da criança e deve, sob tantos aspectos, aprender da mãe a sua própria « paternidade ». Isto — pode-se dizer — faz parte do dinamismo humano normal do ser genitores, também quando se trata das etapas sucessivas ao nascimento da criança, especialmente no primeiro período. A educação do filho, globalmente entendida, deveria conter em si a dúplice contribuição dos pais: a contribuição materna e paterna. Todavia, a materna é decisiva para as bases de uma nova personalidade humana.

Comentário: aqui o Papa acena para alguns dados da neurociência, da facilidade da mulher em prestar atenção à pessoa concreta. Se o homem observar a capacidade feminina de relacionamento humano, ficará certamente assustado com a sua facilidade e sensibilidade. Também aqueles que serão “pais espirituais” como  
aquele amigo que conduz o outro para a fé, ou de modo especial, os sacerdotes que geram filhos espirituais pelo Batismo e pela Palavra de Deus, podem aprender do gênio feminino a caridade concreta.

A maternidade em relação à Aliança

19. Volta às nossas reflexões o paradigma bíblico da « mulher », tirado do Proto-Evangelho. A « mulher », como genetriz e como primeira educadora do homem (a educação é a dimensão espiritual do ser pais), possui uma precedência específica sobre o homem. Se, por um lado, a sua maternidade (antes de tudo no sentido biofísico) depende do homem, por outro, ela imprime uma « marca » essencial em todo o processo do fazer crescer como pessoa os novos filhos e filhas da estirpe humana. A maternidade da mulher em sentido biofísico manifesta uma aparente passividade: o processo de formação de uma nova vida « produz-se » nela, no seu organismo; todavia, produz-se, envolvendo-o em profundidade. Ao mesmo tempo, a maternidade, no sentido pessoal-ético,exprime uma criatividade muito importante da mulher, da qual depende principalmente a própria humanidade do novo ser humano. Também neste sentido a maternidade da mulher manifesta uma chamada e um desafio especiais, que se dirigem ao homem e à sua paternidade.

Comentário: a mulher é a melhor educadora dos filhos. E das coisas que mais fazem falta para o nosso tempo é de mães que não tenham “complexo de inferioridade” por serem simplesmente mães. Só com a contribuição delas se pode educar  
pessoas com valores humanos, morais e religiosos, para uma sociedade justa.

O paradigma bíblico da « mulher » culmina na maternidade da Mãe de Deus. As palavras do Proto-Evangelho: « Porei inimizade entre ti e a mulher », encontram aqui uma nova confirmação. Eis que Deus, na pessoa dela, no seu « fiat » materno (« Faça-se em mim »), dá início a uma Nova Aliança com a humanidade. Esta é a Aliança eterna e definitiva em Cristo, no seu corpo e sangue, na sua cruz e ressurreição. Precisamente porque esta Aliança deve realizar-se « na carne e no sangue », é que o seu início se dá na Genetriz. O « Filho do Altíssimo », somente graças a ela e ao seu « fiat » virginal e materno, pode dizer ao Pai: « formaste-me um corpo. Eis-me aqui para fazer, ó Deus, a tua vontade » (cf. Hebr 10, 5. 7).

Comentário: O melhor exemplo de mãe é a Virgem Maria. Nela se formou o Filho de Deus, o filho do Altíssimo, homem e Deus verdadeiro, Jesus Cristo, nosso Senhor. Pela sua concepção se iniciou uma nova Aliança entre o céu e a terra. Somos da família de Deus; Deus é “dos nossos”. O Pai enviou o Esposo divino para espalhar o Espírito de amor sobre a carne humana.

Na ordem da Aliança, que Deus realizou com o homem em Jesus Cristo, foi introduzida a maternidade da mulher. E cada vez, todas as vezes que a maternidade da mulher se repete na história humana sobre a terra, permanece sempre em relação com a Aliança que Deus estabeleceu com o gênero humano, mediante a maternidade da Mãe de Deus.

Comentário: Realmente impressionante. Ter filhos é a benção bíblica. Benção não é tanto carros, dinheiro e emprego, mas muitos filhos. Ali Deus renova seu compromisso com a humanidade.

Esta realidade não é talvez demonstrada pela resposta dada por Jesus ao brado da mulher que, no meio da multidão, o bendizia pela maternidade d’Aquela que o gerou: « Ditoso o seio que te trouxe e os peitos a que foste amamentado! »? Jesus responde: « Ditosos antes os que ouvem a palavra de Deus e a guardam » (Lc 11, 27-28). Jesus confirma o sentido da maternidade relativa ao corpo; ao mesmo tempo, porém, indica-lhe um sentido ainda mais profundo, ligado à ordem do espírito: a maternidade é sinal da Aliança com Deus que « é espírito » (Jo 4, 24). Tal é sobretudo a maternidade da Mãe de Deus. Também a maternidade de toda mulher, entendida à luz do Evangelho, não é só « da carne e do sangue »: nela se exprime a profunda « escuta da palavra do Deus vivo » e a disponibilidade para « guardar » esta Palavra, que é « palavra de vida eterna » (cf.Jo 6, 68). Com efeito, são os nascidos de mães terrenas, os filhos e as filhas do gênero humano, que recebem do Filho de Deus o poder de se tornarem « filhos de Deus » (Jo 1, 12). A dimensão da Nova Aliança no sangue de Cristo penetra no gerar humano, tornando-o realidade e responsabilidade de « novas criaturas » (2 Cor 5, 17). A maternidade da mulher, do ponto de vista da história de todo homem, é o primeiro limiar, cuja superação condiciona também « a revelação dos filhos de Deus » (cf. Rom 8, 19).

Comentário: “Feliz quem é tua mãe, Jesus!” “Feliz quem entende o mistério da renovação da Aliança através da maternidade da mulher”!

« A mulher, quando vai dar à luz, está em tristeza, por ter chegado a sua hora. Mas depois de ter dado à luz o menino, já não se lembra da aflição por causa da alegria de ter nascido um homem no mundo » (Jo 16, 21). As palavras de Cristo referem-se, na sua primeira parte, às « dores do parto » que pertencem a herança do pecado original; ao mesmo tempo, porém, indicam a ligação da maternidade da mulher com o mistério pascal. Neste mistério, de fato, está incluída também a dor da Mãe aos pés da Cruz — da Mãe que mediante a fé participa no mistério desconcertante do « despojamento » do próprio Filho. « Isso constitui, talvez, a mais profunda “kênose” da fé na história da humanidade ». (40)

Comentário: A Mãe Maria que acolhe nos braços ao seu Filho na Cruz. Qual deve ser nossa atitude diante disso? Silêncio. Não o da indiferença, mas o da presença. Da caridade silenciosa. Deus Pai não disse nada. Caíam as lágrimas, se rasgavam os corações mais duros. Silêncio, pois para as feridas da alma, só o tempo. Mas, me engano. Às vezes o tempo não cura e a chaga só piora. Também é preciso a esperança. Crer em Deus que é Pai e nos espera após a morte é a divina medicina que, gota a gota, limpa e cura.


Contemplando esta Mãe, cujo coração foi traspassado por uma espada (cf. Lc 2, 35), o pensamento volta-se a todas as mulheres que sofrem no mundo, que sofrem no sentido tanto físico como moral. Neste sofrimento, uma parte é devida à sensibilidade própria da mulher; mesmo que ela, com frequência, saiba resistir ao sofrimento mais do que o homem. É difícil enumerar estes sofrimentos, é difícil nomeá-los todos: podem ser recordados o desvelo maternal pelos filhos, especialmente quando estão doentes ou andam por maus caminhos, a morte das pessoas mais queridas, a solidão das mães esquecidas pelos filhos adultos ou a das viúvas, os sofrimentos das mulheres que lutam sozinhas pela sobrevivência e os das mulheres que sofreram uma injustiça ou são exploradas. Existem, enfim, os sofrimentos das consciências por causa do pecado, que atingiu a dignidade humana ou materna da mulher, as feridas das consciências que não cicatrizam facilmente. Também com estes sofrimentos é preciso pôr-se aos pés da Cruz de Cristo.

Comentário: O papa enumera vários casos desse “calvário” e sugere que rezemos por essas pessoas.

Mas as palavras do Evangelho sobre a mulher que sofre aflição, por chegar a sua hora de dar à luz o filho, logo depois exprimem a alegria: « a alegria de ter nascido um homem no mundo ».Também esta se refere ao mistério pascal, ou seja, àquela alegria que é comunicada aos apóstolos no dia da ressurreição de Cristo: « Da mesma maneira também vós estais agora na tristeza » (estas palavras foram pronunciadas no dia anterior ao da paixão); « mas eu voltarei a ver-vos; então o vosso coração alegrar-se-á e ninguém arrebatará a vossa alegria » (Jo 16, 22).

Comentário:  “Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram” (Ap 21, 4). Pela cruz, à glória da Ressurreição”!