Aparte

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A neurociência tem explicado a relação intrínseca entre a emoção e a razão, de tal modo que uma das implicações para a análise do ato moral poderia ser a compreensão de que a razão também se “apega” emocionalmente aos objetos de sua ação, ou seja, nosso pensamento tende a justificar como “bons” os atos que sempre fazemos ou que nos causam prazer, independentemente de uma consideração ontológica ou das relações que geram.

A ciência da virtude

A virtude para Sócrates não era uma lista de obrigações, ao modo estóico, mas a busca de atos bons e racionais, para o êxito da vida prática. Contudo, Sócrates não era um utilitarista, pois buscava aquilo que era útil e racional, e a racionalidade coincide com o autoconhecimento (o conhecimento filosófico da natureza humana) segundo o ideal do “Conhece-te a ti mesmo”. A racionalidade do ato bom aperfeiçoa aquele que o pratica. Nesse sentido, um ato bom é um fim em si mesmo e não apenas como um meio para outra finalidade.

A ética socrática possui uma religiosidade indissociável à sua moral. Ele permanecia imóvel por horas em busca da verdade sobre si. Depois, veremos Platão transformar a ideia do bem moral fazendo-a coincidir com o Bem transcendente, Deus.

Diretório para os Presbíteros, n. 2

Excerto[1]

Esta identificação sacramental com o Sumo e Eterno Sacerdote insere especificamente o presbítero no mistério trinitário[2] e, por intermédio do mistério de Cristo, na Comunhão ministerial da Igreja, para servir o Povo de Deus[3], não como um encarregado de questões religiosas, mas como Cristo, que veio «não para ser servido,mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão» (Mt 20,28).

 

[1]Fonte: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cclergy/documents/rc_con_cclergy_doc_20130211_direttorio-presbiteri_po.html

[2] Meu grifo.

[3] cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Presbyterorum Ordinis, 12.

Dons do Espírito Santo: Sabedoria

Cidade do Vaticano, 09 de Abril de 2014 (Zenit.org) | 575 visitas

 

PAPA FRANCISCO

AUDIÊNCIA GERAL

Praça de São Pedro
Quarta-feira, 09 de Abril de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Iniciamos hoje um ciclo de catequeses sobre os dons do Espírito Santo. Vocês sabem que o Espírito Santo constitui a alma, a seiva vital da Igreja e de cada cristão: é o amor de Deus que faz do nosso coração a sua morada e entra em comunhão conosco. O Espírito Santo está sempre conosco, está sempre em nós, no nosso coração.

O próprio Espírito é “o dom de Deus” por excelência (cfr Jo 4, 10), é um presente de Deus e à sua volta comunica a quem o acolhe diversos dons espirituais. A Igreja identifica sete, número que simbolicamente diz plenitude, completude; são aqueles que se aprendem quando nos preparamos ao sacramento da Confirmação e que invocamos na antiga oração chamada “Sequência ao Espírito Santo”. Os dons do Espírito Santo são: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor a Deus

1. O primeiro dom do Espírito Santo, segundo este elenco, é então a sabedoria. Mas não se trata simplesmente da sabedoria humana, que é fruto do conhecimento e da experiência. Na Bíblia conta-se que Salomão, no momento da sua coroação como rei de Israel, tinha pedido o dom da sabedoria (cfr 1 Re 3, 9). E a sabedoria é justamente isso: é a graça de poder ver cada coisa com os olhos de Deus. É simplesmente isso: é ver o mundo, ver as situações, as conjunturas, os problemas, tudo, com os olhos de Deus. Esta é a sabedoria. Algumas vezes vemos as coisas segundo o nosso prazer ou segundo a situação do nosso coração, com amor ou com ódio, com inveja… Não, estes não são os olhos de Deus. A sabedoria é aquilo que faz o Espírito Santo em nós a fim de que nós vejamos todas as coisas com os olhos de Deus. É este o dom da sabedoria.

2. E obviamente isto deriva da intimidade com Deus, da relação íntima que nós temos com Deus, da relação de filhos com o Pai. E o Espírito Santo, quando nós temos esta relação, nos dá o dom da sabedoria. Quando estamos em comunhão com o Senhor, é como se o Espírito Santo transfigurasse o nosso coração e o fizesse perceber todo o seu calor e a sua predileção.

3. O Espírito Santo torna ainda o cristão “sábio”. Isto, porém, não no sentido de que tem uma resposta para cada coisa, que sabe tudo, mas no sentido de que “sabe” de Deus, sabe como Deus age, conhece quando uma coisa é de Deus e quando não é de Deus; tem esta sabedoria que Deus dá aos nossos corações. O coração do homem sábio neste sentido tem o gosto e o sabor de Deus. E quão importante é que nas nossas comunidades haja cristãos assim! Tudo neles fala de Deus e se torna um sinal belo e vivo da sua presença e do seu amor. E isto é uma coisa que não podemos improvisar, que não podemos procurar por nós mesmos: é um dom que Deus faz àqueles que se tornam dóceis ao Espírito Santo. Nós temos dentro de nós, no nosso coração, o Espírito Santo; podemos escutá-Lo, podemos não escutá-Lo. Se nós escutamos o Espírito Santo, Ele nos ensina esta via da sabedoria, presenteia-nos com a sabedoria que é ver com os olhos de Deus, ouvir com os ouvidos de Deus, amar com o coração de Deus, julgar as coisas com o juízo de Deus. Esta é a sabedoria que nos dá o Espírito Santo e todos nós podemos tê-la. Somente devemos pedi-la ao Espírito Santo.

Pensem em uma mãe, em sua casa, com as crianças que, quando uma faz uma coisa, a outra pensa em outra, e a pobre mãe vai de um lado a outro, com os problemas das crianças. E quando as mães se cansam e gritam com as crianças, isto é sabedoria? Repreender as crianças – pergunto-vos – é sabedoria? O que vocês dizem: é sabedoria ou não? Não! Em vez disso, quando a mãe pega a criança e a repreende docemente e lhe diz: ‘Isto não se faz por isso…’ e lhe explica com tanta paciência, isto é sabedoria de Deus? Sim! É aquilo que nos dá o Espírito Santo na vida! Depois, no matrimônio, por exemplo, os dois esposos – o esposo e a esposa – brigam e depois não se olham ou se o fazem é com a cara amarrada: isto é sabedoria de Deus? Não! Em vez disso, se diz: ‘Bem, a tempestade passou, façamos as pazes’, e recomeçam a seguir adiante em paz: isto é sabedoria? [o povo: Sim!] Sim, este é o dom da sabedoria. Que esteja casa, que esteja com as crianças, que esteja com todos nós!

E isto não se aprende: isto é um presente do Espírito Santo. Por isto, devemos pedir ao Senhor que nos dê o Espírito Santo e nos dê o dom da sabedoria, daquela sabedoria de Deus que nos ensina a olhar com os olhos de Deus, a ouvir com o coração de Deus, a falar com as palavras de Deus. E assim, com esta sabedoria, vamos adiante, construímos a família, construímos a Igreja e todos nos santificamos. Peçamos hoje a graça da sabedoria. E peçamos à Nossa Senhora, que é a sede da sabedoria, este dom: que Ela nos dê esta graça. Obrigado!

(Trad.:Canção Nova)

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Fonte: Meditação diária de Falar com Deus, Francisco Fernández Carvajal: NOVENA DA IMACULADA.(http://www.hablarcondios.org/)

O dom da sabedoria aperfeiçoou a sua caridade e levou-a a ter um conhecimento gozoso e experimental do divino e a saborear na sua intimidade os mistérios que se referiam especialmente ao Messias, seu Filho. A sua sabedoria era amorosa, infinitamente superior à que se pode obter dos mais profundos tratados de Teologia. Via, contemplava, amava e ordenava todas as coisas de acordo com essa experiência divina; julgava-as com a luz poderosa e amorosa que inundava o seu coração. Se lho pedirmos com insistência, Ela no-lo alcançará, pois “entre os dons do Espírito Santo, diria que há um de que todos nós, cristãos, necessitamos especialmente: o dom da sabedoria, que nos faz conhecer e saborear Deus, e nos coloca assim em condições de podermos avaliar com verdade as situações e as coisas desta vida” (Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 133).
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Do Catecismo Maior de S. Pio X

915) Que é a Sabedoria? A Sabedoria é um dom pelo qual nós, elevando o espírito acima das coisas terrenas e frágeis, contemplamos as eternas, isto é, a Verdade, que é Deus, no qual pomos nossa complacência, amando-O como nosso Sumo bem.

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Natureza: “Hábito sobrenatural inseparável da caridade pelo qual julgamos retamente de Deus e das coisas divinas por suas últimas e altíssimas causas sob o instinto especial do Espírito Santo, que nos faz as saborear por certa conaturalidade e simpatia” (Royo Marin, Antonio, Teologia de la perfección cristiana. 4. ed. Madrid : Católica, 1962, pag 487).
Distingue-se da penetrante e profunda apreensão da verdade do dom do Entendimento. A Sabedoria emite um juízo acerca das coisas divinas, o dom da Ciência das coisas criadas e a aplicação concreta as ações, o dom do Conselho.
Enquanto juízo, a Sabedoria reside na faculdade intelectiva, enquanto conaturalidade com as coisas divinas, a caridade reside na vontade. Também é prática: contempla os primeiros princípios e dirige os atos humanos por razões divinas. O trabalho se torna descanso, o amargo se torna doce quando feitos por Deus.
Julga de Deus, dessa inefável experiência.
É o mesmo objeto formal (quod) da fé, mas materialmente, a fé crê, a sabedoria saboreia e experimenta. “Provai e vede quão suave é o Senhor” (Sl 33,9).
Os filósofos definem a sabedoria como “Cognitio certa et evidens rerum per altissimas earum causas“. O que contempla algo sem conhecer suas causas, tem um conhecimento vulgar (Pense-se numa criança diante de um eclipse). O que conhece as causas próximas, cientista. O que conhece os últimos princípios na ordem natural, a sabedoria filosófica (Metafísica). O que é guiado pelas luzes da fé e da razão, possui a Teologia. O que conhece, pressuposto a fé e a razão, pelo instinto divino as últimas causas, possui a sabedoria sobrenatural, superada apenas pela visão beatífica.
Necessidade: É a atmosfera normal da caridade cristã. A caridade não consegue guiar-se somente por razões humanas, pequenas e mesquinhas, tem de respirar largamente o divino.
Efeitos: 1) Dá o sentido do divino, de eternidade, com que julgam todas as coisas. Mesmo nas coisas ordinárias, o cristão percebe a repercussão de eternidade. Não se detém em causas segundas (maldade humana, p. ex), mas remetem as causas altíssimas (o que Jesus faria nessa situação). “De que me vale isso para a eternidade” (S. Luís Gonzaga)?; 2) Faz viver ao modo divino os mistérios da nossa fé: enquanto criatura, tudo enxerga de dentro da Trindade, onde está pelo amor; 3) Faz viver em união com as divinas Pessoas mediante uma participação inefável na vida Trinitária; 4)Leva até ao heroísmo a virtude da Caridade; 5) Proporciona a todas as virtudes a sua perfeição, fazendo-as verdadeiramente divinas: “Só mora neste monte a honra e glória de Deus” (S. João da Cruz).
Bem aventuranças e frutos: “Bem aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Quanto ao mérito, pacíficos, a paz é a tranquilidade da ordem e isto pertence à Sabedoria. E quanto ao prêmio, filhos de Deus, por causa da nossa participação na vida de Deus.
O fruto do Espírito é a caridade, o gozo espiritual e a paz.
Vícios opostos: Estultícia espiritual, a fatuidade (presunção ridícula, tola). “O homem animal não compreende as coisas do Espírito de Deus” (I Cor. 2,14).
Meios de fomentar: além dos meios ordinários 1) Esforçar-nos de ver as coisas do ponto de vista de Deus; 2) Combater a sabedoria do mundo. Aquela sabedoria que idolatra a criatura, que não entende a pureza de coração. Há a sabedoria terrena e suas riquezas, a animal e seus prazeres, a diabólica e sua excelência soberba; 3) Não afixionar-se demais as coisas desse mundo, ainda que boas e honestas. Uma “única coisa é necessária”; 4) Não apegar-se aos consolos espirituais.

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Meditação diária de Falar com Deus

89. O DOM DA SABEDORIA

– Este dom confere-nos um conhecimento amoroso de Deus, bem como das pessoas e das coisas criadas na medida em que se referem a Ele. Está intimamente unido à virtude da caridade.

– Mediante este dom, participamos dos mesmos sentimentos de Jesus Cristo em relação aos que nos rodeiam. Ensina-nos a ver os acontecimentos dentro do plano providencial de Deus, que sempre se manifesta como nosso Pai.

– O dom da sabedoria e a vida contemplativa na nossa vida corrente.

I. EXISTE UM CONHECIMENTO de Deus e do que se refere a Ele a que só se chega pela santidade. O Espírito Santo, mediante o dom da sabedoria, coloca-o ao alcance das almas simples que amam o Senhor: Eu te glorifico, Pai, Senhor do céu e da terra – exclamou Jesus diante de umas crianças –, porque escondeste estas coisas aos sábios e prudentes e as revelaste aos pequeninos1.

É uma sabedoria que não se aprende nos livros, mas que é comunicada à alma pelo próprio Deus, que ilumina e ao mesmo tempo cumula de amor a mente e o coração, a inteligência e a vontade; é um conhecimento mais íntimo e saboroso de Deus e dos seus mistérios. “Quando temos na boca uma fruta, apreciamos o seu sabor muito melhor do que se lêssemos as descrições que dela fazem todos os livros de Botânica. Que descrição se pode comparar ao sabor que experimentamos quando provamos uma fruta? Do mesmo modo, quando estamos unidos a Deus e o saboreamos por íntima experiência, isso nos faz conhecer muito melhor as coisas divinas do que todas as descrições que os eruditos e os livros dos homens mais sábios possam fazer”2. Este é o conhecimento que se experimenta de modo particular pelo dom da sabedoria.

De uma maneira semelhante à de uma mãe que conhece o seu filho pelo amor que lhe tem, assim a alma, mediante a caridade, chega a um conhecimento profundo de Deus que obtém do amor a sua luz e o seu poder de penetração nos mistérios. É um dom do Espírito Santo porque é fruto da caridade infundida por Ele na alma e nasce de uma participação na sua sabedoria infinita. São Paulo orava pelos primeiros cristãos, para que,poderosamente robustecidos pelo seu Espírito […], arraigados e alicerçados na caridade, possais compreender qual a largura e o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer enfim a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento3. É um compreender alicerçados na caridade; é um conhecimento profundo e amoroso.

Não podemos aspirar a nenhum conhecimento mais alto de Deus do que este conhecimento saboroso, que enriquece e facilita a nossa oração e toda a nossa vida de serviço a Deus e aos homens por Deus: A sabedoria – diz a Sagrada Escritura – vale mais do que as pérolas, e jóia alguma a pode igualar4. Eu a preferi aos cetros e aos tronos, e considerei a riqueza como um nada em comparação com ela […]. Todo o ouro ao seu lado é apenas um pouco de areia, e a prata diante dela é como lama […]. Com ela vieram-me todos os bens […] porque é a sabedoria que os traz […]. Ela é para os homens um tesouro inesgotável; e os que a adquirem preparam-se para ser amigos de Deus5.

II. INTIMAMENTE UNIDO à virtude teologal da caridade, o dom da sabedoria confere à alma um conhecimento muito especial de Deus, que a leva a possuir “uma certa experiência da doçura de Deus”6, em si mesmo e nas coisas criadas, enquanto se relacionam com Ele. “Entre os dons do Espírito Santo, diria que há um de que todos nós, cristãos, necessitamos especialmente: o dom da sabedoria, que nos faz conhecer e saborear Deus, e nos coloca assim em condições de poder avaliar com verdade as situações e as coisas desta vida”7. Com a visão profunda que este dom confere à alma, o cristão que segue de perto o Senhor contempla toda a realidade com um olhar mais alto, pois participa de algum modo da visão que Deus tem de todas as coisas criadas. Julga tudo com a clareza deste dom.

Os demais homens são então para ele uma oportunidade contínua de praticar a misericórdia e de exercer um apostolado eficaz aproximando-os do Senhor. Compreende melhor a imensa necessidade que os seus parentes, colegas e amigos têm de ser ajudados a caminhar para Cristo. Vê-os como pessoas urgentemente necessitadas de Deus, como Cristo as via.

Iluminados por este dom, os santos entenderam no seu verdadeiro sentido os acontecimentos desta vida: tanto os que consideramos grandes e importantes como os aparentemente pequenos. Por isso, não chamaram desgraça à doença e às tribulações que tiveram que sofrer; compreenderam que Deus abençoa de muitas maneiras, e freqüentemente com a Cruz; sabiam que todas as coisas, mesmo aquelas que são humanamente inexplicáveis, cooperam para o bem dos que amam a Deus8. “As inspirações do Espírito Santo, que este dom faz acolher com docilidade, esclarecem-nos pouco a pouco sobre a ordem admirável do plano providencial, mesmo e precisamente naquelas coisas que antes nos deixavam desconcertados, nos casos dolorosos e imprevistos, permitidos por Deus em vista de um bem superior”9.

Através do dom da sabedoria, as moções da graça trazem-nos uma grande paz, não somente para nós, mas também para o nosso próximo; ajudam-nos a semear alegria onde quer que estejamos e a encontrar a palavra oportuna que ajuda a reconciliarem-se os que estão desunidos. É por isso que este dom está em correspondência com a bem-aventurança dos pacíficos, daqueles que, tendo paz em si mesmos, podem comunicá-la aos outros. Esta paz, que o mundo não pode dar, é o resultado de se verem os acontecimentos dentro do plano providente de Deus, que em momento algum se esquece dos seus filhos.

III. O DOM DA SABEDORIA concede-nos uma fé amorosa, penetrante, uma clareza e segurança absolutamente insuspeitadas na compreensão do mistério inabarcável de Deus. Assim, por exemplo, a presença real de Jesus Cristo no Sacrário produz em nós uma felicidade inexplicável por nos acharmos diante de Deus. A pessoa “permanece ali sem dizer nada ou simplesmente repetindo umas palavras de amor, em contemplação profunda, com os olhos fixos na Hóstia Santa, sem cansar-se de fitá-lo. Parece-lhe que Jesus penetra pelos seus olhos até o mais profundo dela própria…”10

O normal será, no entanto, que encontremos a Deus na vida diária, sem quaisquer manifestações especiais, mas envolvidos pela íntima certeza de que Ele nos contempla, de que vê as nossas tarefas e nos olha como filhos seus… No meio do nosso trabalho, na família, o Espírito Santo ensina-nos, quando somos fiéis às suas graças, que todas as nossas ocupações são o instrumento normal que Deus põe ao nosso alcance para que possamos amá-lo e servi-lo nesta vida e depois contemplá-lo na eternidade. À medida, pois, que vamos purificando o nosso coração, entendemos melhor a verdadeira realidade do mundo, das pessoas (que olhamos e tratamos como filhos de Deus) e dos conhecimentos, participando da própria visão de Deus sobre as coisas criadas, sempre dentro dos limites da nossa condição de criaturas.

Esta ação amorosa do Espírito Santo sobre a nossa vida só será possível se cuidarmos com esmero das normas de piedade através das quais nos dedicamos especialmente a Deus: a Santa Missa, os momentos de meditação pessoal, a Visita ao Santíssimo… E isto tanto nos dias normais como naqueles em que temos um trabalho que parece ultrapassar a nossa capacidade de levá-lo adiante; quando a devoção é fácil e simples ou quando chega a aridez; nas viagens, no descanso, na doença…

E juntamente com o cuidado em viver com esmero esses momentos mais intensamente dedicados a Deus, não nos deve faltar o empenho por conseguir que o pano de fundo do nosso dia esteja sempre ocupado pelo Senhor. Presença de Deus alimentada com jaculatórias, ações de graças, pedidos de ajuda, atos de amor e desagravo, pequenos sacrifícios que surgem no nosso trabalho ou que procuramos por nossa conta.

“Que a Mãe de Deus e Mãe nossa nos proteja, a fim de que cada um de nós possa servir a Igreja na plenitude da fé, com os dons do Espírito Santo e com a vida contemplativa. Realizando cada um os deveres que lhe são próprios, cada um no seu ofício e profissão, e no cumprimento das obrigações do seu estado, honre gozosamente o Senhor”11.

(1) Mt 11, 25; (2) L. M. Martinez, El Espíritu Santo, 6ª ed., Studium, Madrid, 1959, pág. 201; (3) Ef 3, 16-19; (4) Prov 8, 11; (5) Sab 7, 8-14; (6) São Tomás, Suma Teológica, 1-2, q. 112, a. 5; (7) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 133; (8) cfr. Rom 8, 28; (9) R. Garrigou-Lagrange, Las tres edades de la vida interior, 4ª ed., Palabra, Madrid, 1983, pág. 82; (10) A. Riaud, La acción del Espíritu Santo en las almas, 4ª ed., Palabra, Madrid, 1983, pág. 82; (11) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 316.