Os crimes de guerra…

Os crimes de guerra são definidos no artigo 6b [tribunal de Nuremberg] como “as violações das leis e costumes da guerra. Essas violações compreendem – sem estarem limitadas a isto, porém – o assassinato, maus-tratos ou deportação para trabalhos forçados, ou ainda com outro objetivo, das populações civis dos territórios ocupados, o assassinato ou maus-tratos de prisioneiros de guerra e de pessoas no mar, a execução de reféns, a pilhagem dos bens públicos ou privados, a destruição sem motivos de cidades e povoados ou a devastação não justificada por exigências militares”.

Ora, Stalin ordenou ou autorizou numerosos crimes de guerra, sendo a execução da quase-totalidade dos oficiais poloneses aprisionados em 1939 -dos quais os 4.500 mortos de Katyn são apenas um episódio – o crime mais espetacular. Mas outros crimes de amplitude ainda maior passaram despercebidos, como o assassinato ou a morte no
Gulagfreqüência de centenas de milhares de militares alemães aprisionados entre 1943 e 1945; a isto acrescentam-se os estupros em massa de mulheres alemãs pelos soldados do Exército Vermelho na Alemanha ocupada; sem falar da pilhagem sistemática de todo o parque industrial dos países ocupados pelo Exército Vermelho. Incorrem no mesmo
artigo 6b o aprisionamento, o fuzilamento ou a deportação das resistências organizadas que combatiam abertamente o poder comunista: por exemplo, os militares das organizações polonesas de resistência antinazista (POW, AK), os membros das organizações de partidários bálticos e ucranianos armados, as resistências afegãs, etc.

Fonte:

JEAN-LOUIS PANNÉ, ANDRZEJ PACZKOWSKI, KAREL BARTOSEK JEAN-LOUIS MARGOLIN. O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO: Crimes, terror e repressão.BCD união de editoras. Rio de Janeiro, RJ, 1999.

“História de uma alma” – Sta. Teresinha

Apostolado, caridade, oração, intercessão, conversão, “tenho sede”

“Nessa noite de luz, começou o terceiro período da minha vida, o mais bonito de todos, o mais cheio das graças do Céu… Num instante, a obra que eu não pude cumprir em dez anos, Jesus a fez contentando-se com a boa vontade que nunca me faltara. Como os apóstolos, podia dizer-Lhe: “Senhor, pesquei a noite toda sem nada pegar”. Ainda mais misericordioso comigo do que com os discípulos, Jesus pegou Ele mesmo a rede, lançou-a e retirou-a cheia de peixes… Fez de mim um pescador de alma, senti um desejo imenso de trabalhar pela conversão dos pecadores, desejo que não sentira tanto antes… Em suma, senti a caridade entrar em meu coração, a necessidade de me esquecer para agradar e, desde então, fiquei feliz!… Num domingo, ao olhar uma foto de Nosso Senhor na Cruz, fiquei impressionada com o sangue que caía de uma das suas mãos divinas. Senti grande aflição pensando que esse sangue caía no chão sem que ninguém se apressasse em recolhê-lo. Resolvi ficar, em espírito, ao pé da Cruz para receber o divino orvalho que se desprendia, compreendendo que precisaria, a seguir, espalhá-lo sobre as almas… O grito de Jesus na Cruz ressoava continuamente em meu coração: “Tenho  sede!” Essas palavras despertavam em mim um ardor desconhecido e muito vivo… Queria dar de beber a meu Bem-amado e sentia-me devorada pela sede das almas… Ainda não eram as almas dos sacerdotes que me atraíam, mas as dos grandes pecadores. Ardia do desejo de arrancá-los às chamas eternas…”

Para estimular meu zelo, Deus mostrou-me que meus desejos eram-lhe agradáveis. Ouvi falar de um grande criminoso que acabava de ser condenado à morte por crimes horríveis. Tudo fazia crer que morreria impenitente. Quis, a qualquer custo, impedi-lo de cair no inferno”‘. Para conseguir, usei de todos os meios imagináveis: sentindo que, de mim mesma, nada poderia, ofereci a Deus os méritos infinitos de Nosso Senhor, os tesouros da santa Igreja, enfim, pedi a Celina para mandar celebrar uma missa nas minhas intenções, não ousando pedi-la eu mesma, temendo ser obrigada a dizer que era para Pranzini, o grande criminoso. Não queria, tampouco, dizê-lo a Celina, mas insistiu com tanta ternura que lhe confiei meu segredo; longe de zombar de mim, pediu para ajudar a converter meu pecador. Aceitei com gratidão, pois teria desejado que todas as criaturas se unissem a mim para implorar a graça para o culpado.

No fundo do meu coração, tinha certeza de que nossos desejos seriam atendidos. Mas, a fim de ter coragem para continuar a rezar pelos pecadores, disse a Deus estar segura de que Ele perdoaria o pobre infeliz Pranzini, que acreditaria mesmo que não se confessasse e não desse sinal nenhum, de arrependimento, enorme era minha confiança na misericórdia infinita de Jesus, mas lhe pedia apenas um sinal de arrependimento, para meu próprio consolo… Minha oração foi atendida ao pé da letra! Apesar da proibição de  papai de lermos jornais, não pensava desobedecer lendo as passagens que falavam de Pranzini. No dia seguinte à sua execução, cai-me às mãos o jornal La Croix. Abro-o apressada e o que vejo?… Ah! minhas lágrimas traíram minha emoção e fui obrigada a me esconder… Pranzini não se confessou, subiu ao cadafalso e preparava-se para colocar a cabeça no buraco lúgubre quando, numa inspiração repentina, virou-se, apanhou um Crucifixo que lhe apresentava o sacerdote e beijou por três vezes suas chagas sagradas!… Sua alma foi receber a sentença misericordiosa Daquele que declarou que no Céu haverá mais alegria por um só pecador arrependido do que por 99 justos que não precisam de arrependimento!…

Obtive o “sinal” pedido, e esse sinal era a reprodução fiel de graças que Jesus me fizera para atrair-me a rezar pelos pecadores. Não foi diante das chagas de Jesus, vendo cair seu sangue divino, que a sede de almas entrou em meu coração? Queria dar-lhes de beber esse sangue imaculado que devia purificá-las das suas sujeiras, e os lábios do “meu primeiro filho” foram colar-se às chagas sagradas!!!… Que resposta indizivelmente doce!… Ah! desde essa graça única, meu desejo de salvar as almas cresceu a cada dia. Parecia-me ouvir Jesus dizendo como para a samaritana: “Dê-me de beber!” Era uma verdadeira troca de amor; às almas, eu dava o sangue de Jesus; a Jesus, oferecia essas mesmas almas refrescadas pelo seu divino orvalho. Dessa forma, eu parecia desalterá-lo e mais lhe dava de beber, mais a sede da minha pequena alma aumentava e era essa sede ardente que Ele me dava como a mais deliciosa bebida do seu amor…”

Crimes contra a paz

Os crimes contra a paz são definidos pelo artigo 6a [tribunal de Nuremberg] e concernem “a direção, a preparação, o início ou o prosseguimento de uma de uma guerra de agressão, ou de uma guerra de violação de tratados, garantias ou acordos internacionais, ou a participação num plano concertado ou num complô para a consecução de qualquer um dos atos precedentes”.

Stalin cometeu incontestavelmente esse tipo de crime, pelo menos quando negociou secretamente com Hitler, através dos tratados de 23 de agosto e de 28 de setembro de 1939, a partilha da Polônia e a anexação dos Países Bálticos, da Bucovina do Norte e da Bessarábia à URSS.

O tratado de 23 de agosto, libertando a Alemanha do perigo de um combate em duas frentes, provocou diretamente o início da Segunda Guerra Mundial. Stalin perpetrou um novo crime contra a paz ao agredir a Finlândia em 30 de novembro de 1939. O ataque imprevisto da Coreia do Norte contra a Coreia do Sul em 25 de junho de 1950 e a intervenção maciça do exército da China comunista são atos da mesma ordem. Os métodos de subversão, assumidos durante um tempo pelos partidos comunistas comandados por Moscou, poderiam igualmente ser assimilados aos crimes contra a paz, pois sua ação desembocou em algumas guerras; assim, o golpe de Estado comunista no Afeganistão acarretou, em 27 de dezembro de 1979, uma intervenção militar maciça da
URSS, inaugurando uma guerra que ainda não terminou.

Fonte:

JEAN-LOUIS PANNÉ, ANDRZEJ PACZKOWSKI, KAREL BARTOSEK JEAN-LOUIS MARGOLIN. O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO: Crimes, terror e repressão.BCD união de editoras. Rio de Janeiro, RJ, 1999.

Batina, meu sacro poncho

Batina, meu sacro poncho,

Com quanto orgulho te visto.

És simples e sem mistérios,

Exatamente por isto,

foste a pilcha preferida

Pelo próprio Jesus Cristo.

 

Foi Maria quem traçou

Teu molde, tua estrutura.

As mãos da Virgem trançaram

Esses tentos, tua costura;

Foste gerada no colo

Da mais bela criatura.

 

Teu batismo foi glorioso,

No Jardim das Oliveiras.

Deus ungiu teu pano todo

Entre dores derradeiras:

O suor e o sangue de Cristo,

Transpassaram até as ombreiras.

 

Teu corpo tradicional:

Dois panos fazendo a cruz,

Em qualquer parte da terra,

Tem a marca que traduz

Esse poncho universal

Da peonada de Jesus.

 

Cor branca, marrom ou preta,

– tordilha, ruana, picaça –

Casimira, tropical,

Ou tergal que não amassa,

Pouco importa, nunca mudas

Como tradição de raça.

 

És aberta pelo meio

Como couro bem coreado;

É este colarinho branco,

É porteira sem cadeado;

Nada sai e nada entra

Tendo marca de pecado.

 

Esses trinta e seis botões,

Como dentes de uma serra,

Não são mera fantasia,

Pois é símbolo que encerra

Aqueles trinta e seis anos

Que Jesus viveu na terra…

 

Em quatro bolsos carregas:

– O dinheiro do Vigário;

– Santinhos, prazer dos piás;

– Muitas vezes o Breviário;

– E a boleadeira do Padre

Que é seu sagrado Rosário.

 

Batina, poncho diário,

Sem variação nem rodeio

Vais comigo em toda a parte,

Minha farda, meu arreio,

Meu chiripá de trabalho,

Minha pilcha de passeio.

 

És um sermão ambulante,

Pregador que não sesteia.

Botas freio nas paixões

E nos vícios, a maneia.

Quem é bom, gosta de ti;

Quem é mau, sempre te odeia.

 

Quando passa a “lo largo”,

Farfalhando com tenência,

Sobre as almas pecadoras

Sopras ventos com violência,

Para brasas do remorso

Prender fogo na consciência.

 

Campereando mundo afora,

Vais pregando: a humildade,

A pobreza e a renúncia,

O amor puro e a castidade:

És a presença de Deus.

És a própria eternidade!

 

Mesmo agora com licença

Do padre andar à paisano,

Batina, continuarás

O mesmo sagrado pano

Como símbolo do Padre,

Peão o Patrão Soberano.

 

Mais do que simples fazenda,

Neste meu poema venero

O símbolo secular,

Tradicional e austero

Com que marcaste sempre

A imagem de todo o Clero.

 

Viamão, setembro de 1960

Padre Paulo Aripe, “Potrilho” (A Igreja nos galpões).