Orate, frates

 

  1. A “oração” na pós modernidade.
  2. O que é oração?
  3. Cur orare? União com Deus e apostolado.
  4. O Espírito Santo ora em nós.
  5. A oração no ano litúrgico; e no plano de vida.
  6. Os tipos: vocal, meditação, mental.
  1. 1.                 A “oração” na pós modernidade.

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mesmo assim,
solidão em mim.

Eliane Alberche

A solidão de Adão: mulher, filhos, oração, Eucaristia.

 

  1. 2.      O que é oração?

“Não é outra coisa a oração mental, ao meu parecer, senão tratar de amizade, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama” (SANTA TERESA, Vida, 8, 2).

Assim como os pássaros voam, as pedras rolam, as pessoas rezam: “a oração é o ato próprio da criatura racional (SANTO TOMÁS, Suma Teológica, 2-2, q. 83, a. 10).

Assim como os enamorados conversam, se visitam, trocam confidências românticas, os cristãos rezam, vão a Missa e louvam a Deus. Sem oração, o nosso amor a Deus é apenas teórico. A nossa oração é aromática (Ap 8, 3-4).

Mesmo casados, mesmo no meio da multidão, somos solitários se não rezamos.

A amar e a rezar, ninguém pode obrigar.

O Nosso Senhor recomenda a rezar tanto comunitariamente, quanto individualmente. “Se enquanto levas tua oferenda ao altar te recordas de que teu irmão tem queixa contra ti, deixa tua oferenda diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão e depois vai levar tua oferenda” (Mt 5, 23-24). Jesus sempre ia ao Templo, pagava seus impostos; os primeiros cristãos iam diariamente ao Templo (At 2, 46). E, individualmente, “Quando fores rezar, entra no teu quarto, fecha a porta e reza a teu Pai em segredo” (Mt 6, 6). Entrar em si, recolher os sentidos.

O que muda o mundo não é a política somente, mas o segredo do quarto.

  1. 3.                 Cur orare? União com Deus e apostolado.

Devemos orar também porque somos frágeis e culpados. É preciso reconhecer real e humildemente que somos pobres criaturas, cheios de idéias confusas […], frágeis e débeis, continuamente necessitados de força interior e de consolo. A oração dá forças para acometer os grandes ideais, para manter a fé, a caridade, a pureza, a generosidade; dá ânimos para sair da indiferença e da culpa, se por desgraça se cedeu à tentação e à fraqueza; dá luz para ver e julgar os acontecimentos da própria vida e da história a partir da perspectiva de Deus e da eternidade. Por isso, não deixem de orar! Não passe nenhum dia sem que tenham orado um pouco! A oração é um dever, mas é também uma alegria, porque é um diálogo com Deus por meio de Jesus Cristo (JOÃO PAULO II, Audiência com os jovens, 14-III-1979).

A oração é alma de todo o apostolado. “Primeiro, oração; depois, expiação; em terceiro lugar, muito em ‘terceiro lugar’, ação” (Caminho, 82).

Aconteceu um dia que os anciãos se dirigiram ao abade Abraão, o profeta da região. Interrogaram-no a respeito do abade Banê: “Estivemos conversando com o abade Banê a respeito da clausura na qual ele agora se encontra; ele nos disse estas graves palavras: ele julga que toda a ascese e todas as esmolas que fez no passado foram uma profanação“. E o santo velho Abraão respondeu-lhes e disse: “Falou corretamente”. Os anciãos, pelo caminho, lamentaram sua vida, que também fora daquele modo. Mas o abade Abraão lhes disse: “Por que vos afligis? De fato, durante o tempo em que o abade Banê distribuía as esmolas, talvez tenha conseguido alimentar uma vila, uma cidade, um povoado. Mas, agora, é possível a Banê levantar as duas mãos a fim de que o trigo cresça com abundância pelo mundo inteiro. Agora já lhe é possível pedir a Deus que perdoe os pecados de toda essa geração”. E os anciãos, após tê-lo ouvido, se alegraram por existir um suplicante que intercedia por eles.

A oração dos seculares.  A ação como um transbordar da vida interior.

 

  1. 4.                 O Espírito Santo ora em nós.

“Orai em todo o tempo em união com o Espírito, por meio de toda a espécie de orações e de súplicas; vigiai, para isso, com inteira perseverança e com preces por todos os santos” (Ef 6, 18).

“Andai sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em toda a ocorrência, pois tal é a vontade de Deus, em Cristo Jesus, a vosso respeito” (1Ts 5, 16-18). Assim, o fez Jesus: “para inculcar-lhes que é necessário orar sempre sem cansar, contou-lhe uma parábola: – Havia numa cidade um juiz…” (Lc 18, 1-2a).

O Espírito ora em nós, inclusive, quando dormimos. Nosso corpo irradia graças, mesmo quando dormimos, à medida da nossa vida interior. Insistir na oração; jaculatórias, um olhar, um plano de vida que estabeleça momentos fortes, como torres de energia que iluminam todo o dia. Insistir várias vezes é a única arma dos pobres. Se até o mal juiz cedeu, não cederá Deus?

 

Jan Tyranowski. Levou-o (Karol Wojtyla) a conhecer Adophe Alfred Tanquerey, Santa Teresa d’Ávila, Santa Teresinha e São João da Cruz (cf. LECOMTE, Bernard, João Paulo II, Ed. Record, RJ, 2005).

Ele crê na oração, “a única arma que conta” (LECOMTE, Bernard, João Paulo II, Ed. Record, RJ, 2005p. 89), disse ele a Zukrowski, inclinado a pegar em armas. Às vezes chegou a irritar a alguns ao aconselhar em primeiro rezar.

  1. 5.                 A oração no ano litúrgico; e no plano de vida.

A oração litúrgica, ápice e fonte da vida espiritual. A Santa missa.

O Plano de vida: orar sem cessar; momentos de oração comunitária e particular; terço, leitura da Bíblia; visita ao Santíssimo, jaculatórias; oração ao acordar e ao dormir. Ângelus, Santo Anjo, novenas, oração antes e depois das atividades. Despertadores: imagens, crucifixos, terço, etc.

Pai Isaías também contou que houve uma ceia e os irmãos estavam comendo na igreja e falando uns com os outros. O padre de Pelusia os repreendeu com estas palavras: «Irmãos, aquietem-se! Pois vi um irmão comendo com vocês e bebendo tanto quanto vocês e sua oração subia até a presença de Deus como fogo.»

  1. 6.                 Os tipos: vocal, meditação, mental.

Vocal: Pai Nosso. Santa Teresa começou a meditá-lo e não saiu da primeira palavra. Sta. Teresinha, no trabalho manual, interrogada, disse lacrimejando que pensava no Pai Nosso; o terço.

«Et in meditatione mea exardescit ignis». – E na minha meditação se ateia o fogo. – Para isso vais à oração: para tornar-te uma fogueira, lume vivo, que dê calor e luz.

Por isso, quando não souberes ir mais longe, quando sentires que te apagas, se não puderes lançar ao fogo troncos aromáticos, lança os ramos e a folhagem de pequenas orações vocais, de jaculatórias, que continuem a alimentar a fogueira. – E terás aproveitado o tempo (S. Josemaría Escrivá, Caminho, n. 92).

Meditação: meios e não fins: Bíblia, Liturgia, Leitura espiritual (Caminho, santos), o “hoje”.

“A não ser quando acabava de comungar, jamais ousava começar a oração sem um livro, pois a minha alma temia tanto estar sem ele como se fosse lutar com muita gente. Com este remédio, que era como uma companhia ou escudo em que aparava os golpes dos muitos pensamentos, andava consolada” (Santa Teresa, Vida, 4, 7).

Mental:

Oração mental é esse diálogo com Deus, de coração a coração, no qual intervém toda a alma: a inteligência e a imaginação, a memória e a vontade. Uma meditação que contribui para dar valor sobrenatural a nossa pobre vida humana, nossa vida diária corrente (J. ESCRIVÁ DE BALAGUER, É Cristo que passa, 119).

É o diálogo que iniciam dois e termina num abraço simples, diminuindo progressivamente a ação da alma.

Conclusão

Nenhuma pessoa deste mundo soube tratar Jesus como a sua Mãe e, depois de sua Mãe, São José, que devia passar longas horas olhando-o, falando com Ele, tratando-o com toda a simplicidade e veneração. Por isso, “quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome este glorioso Santo por mestre e não errará de caminho” (Santa Teresa, Vida, 6, 3).

Hemos oído decir que el Maligno combatió tanto a un santo que se encontraba en oración que, mientras éste tendía sus brazos, aquel adoptó la forma de un león y, levantando sus patas anteriores para mantenerse erecto, simulaba clavar sus garras en ambos lados del luchador, no alejándose mientras éste no bajara sus brazos. Pero el santo no los bajó hasta que no hubo terminado con sus oraciones de costumbre.

São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, Doutor da Igreja

«Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim»

Que eu não deseje nada fora de Ti. […] Concede-me frequentemente que eleve o meu coração até Ti e, quando fraquejar, que me arrependa da minha falta com pesar, com o firme propósito de me corrigir. Concede-me, Senhor Deus, um coração vigilante que nenhum pensamento estranho afaste para longe de Ti; um coração nobre que nenhuma afeição indigna abata; um coração reto que nenhuma intenção equivoca desvie; um coração firme que nenhuma adversidade quebre; um coração livre que nenhuma paixão violenta domine.

Confere-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que Te conheça, um ardor que Te procure, uma sabedoria que Te encontre, uma vida que Te agrade, uma perseverança que Te espere com confiança e uma confiança que por fim Te possua. Confere-me pela penitência ser atribulado com aquilo que Tu suportaste, usar no caminho da Tua proteção pela graça, gozar das Tuas alegrias, sobretudo na pátria pela glória. Ó Tu que, sendo Deus, vives e reinas por todos os séculos. Ámen.

Duração

inconstância

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