São José, pai espiritual

São José não imaginou que seria pai do Verbo feito homem.
‘José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu consigo a sua esposa’; o que se gerou nela ‘é obra do Espírito Santo’. Ora, de tais expressões, não se imporá porventura deduzir que também o seu amor de homem tinha sido regenerado pelo Espírito Santo? (…).
(…) José, obediente ao Espírito, encontra precisamente nele a fonte do amor, do seu amor esponsal de homem; e este amor foi maior do que aquele ‘homem justo’ poderia esperar, segundo a medida do próprio coração humano. (Redemptoris Custos 19, grifo do autor).
São José foi surpreendido pela vontade de Deus. Pensara que a sua vocação seria simplesmente a do matrimônio. No entanto, era um matrimônio único na história por seu fruto (Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem) e pelo meio para alcançar o fim da procriação, ou seja, em vez de uma santa relação sexual, uma fecundidade virginal.
É bem verdade de que muitos não crêem na Palavra de Deus. Procuram meios para “interpretá-la”, o que é até necessário, mas ao ponto de desvirtuar os seus sentidos mais fundamentais. E, é a fé fundamental da Igreja e dos evangelistas, a concepção virginal de Jesus Cristo. Esta, para destacar a unicidade daquele que era gerado no ventre de Maria. E, num segundo momento, testemunhando uma fecundidade diversa da do matrimônio: a fecundidade espiritual da virgindade.
“José, obediente ao Espírito, encontra precisamente nele a fonte do amor, do seu amor esponsal de homem”. Escutando ao Espírito, que ainda não havia sido derramado como foi em Pentecostes, São José descobre uma fonte de amor, e amor esponsal. Na prática, isso diz que é possível viver do Amor de Deus e não ser um frustrado. Por causa de umas más interpretações da psicologia humana, se pensa que quem não sacia o instinto sexual, será uma pessoa complexada. E, isso, não é verdade. É possível ser celibatário e feliz. A vocação fundamental do ser humano é ao amor, e a sexualidade, vivida segundo esse amor. A própria sexualidade se não é subordinada ao amor, é vazia e insatisfatória. O apelo mais intenso que faz o corpo humano é o do amor, e o Amor é real.
É próprio do coração humano aceitar as exigências, até difíceis, em nome do amor por um ideal e, sobretudo, em nome do amor para com a pessoa (o amor, de fato, é por essência orientado para a pessoa). E, portanto, naquele chamado à continência “por amor do Reino dos Céus”, primeiro os próprios discípulos e depois toda a Tradição viva da Igreja logo descobrirão o amor que se refere ao próprio Cristo, como Esposo da Igreja, Esposo das almas, às quais Ele se deu a Si mesmo totalmente, no mistério da sua Páscoa e da Eucaristia (João Paulo II, catequese 79 da Teologia do Corpo, 9, grifo do autor).
O documento de Aparecida fala da experiência que os discípulos-missionários devem fazer de Deus. Sem um amor esponsal a Cristo, um amor de inteira entrega de si ao Senhor, tudo é apenas teoria. E, quando o coração humano não é saciado de amor puro e abundante, ele se vinga: buscará no lixo do mundo, distrair-se de sua dor.
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