Protagonista do milagre atribuído a João Paulo II revela detalhes inéditos de sua cura

PARIS, 21 Jan. 11 (ACI) .- A religiosa francesa Marie Simon Pierre revelou detalhes inéditos do milagre que permitirá a beatificação do Papa João Paulo II no próximo 1º de maio, como o fato de experimentar um grande desejo de rezar poucos instantes antes de descobrir que tinha sido curada do mal de Parkinson, a mesma enfermidade que sofria Karol Wojtyla.
Em uma entrevista concedida em 14 de janeiro à rede francesa KTOtv e à italiana RAI Vaticano, a religiosa relata que “o dia 2 de junho de 2005 foi o dia da minha cura. Esse dia pela manhã eu estava completamente impedida e já não podia mais”.

“Pensei em procurar a irmã Marie (superiora de sua comunidade) para pedir minha demissão, deixar de brindar meu serviço na maternidade onde trabalhava com muitas pessoas sob a minha responsabilidade. Sentia-me muito pesada e me disse: é necessário que eu pare, que eu deixe o serviço. Eu não posso fazer que isto deixe de avançar, não é possível”.

O pedido da irmã Marie Simon Pierre foi rechaçado com amabilidade e em troca sua superiora lhe propôs pedir a graça de sua cura ao João Paulo II.

Quando isto aconteceu, “sentimos por um bom momento uma grande mudança em seu escritório, diria que uma grande paz, uma paz muito grande e uma grande serenidade, sentia-me muito aprazível, ela também”.

Nesse momento, pediu-lhe escrever o nome de João Paulo II em um papel. O avanço do Parkinson tinha afetado seu braço esquerdo e sofria de intensos tremores. Sua superiora lhe propôs escrever com a mão direita. “Disse-lhe que não podia porque minha mão direita também ficava a tremer, mas ela insistiu: ‘sim você pode, sim pode'”.

Escreveu algo ilegível mas pensou que de repente “ocorrerá um milagre se é que acredito”.

“Fui e segui com meu serviço. Essa noite segui a jornada como de costume com a cena comunitária, logo um pouco mais de trabalho e depois a oração noturna na capela”.

Ao retornar ao seu quarto, a irmã Marie Simon-Pierre se obrigou a escrever e teve uma grande surpresa ao ver que nesse momento ela pôde fazê-lo bem.

Passou uma noite tranqüila e dormiu bem, sem a insônia habitual que apresentava pela dor do Parkinson. Às 4:30 da madrugada do dia 3 de junho despertou sentindo que “já não era a mesma. Havia uma alegria interior e uma grande paz; e logo me surpreendi muito pelos gestos do meu corpo”.

Ao mesmo tempo despertou nela “um grande desejo de rezar. Nessa hora não tinha autorização para rezar, mas rezei”.

Rezou diante do tabernáculo do oratório da maternidade “sempre com uma alegria muito profunda” meditando ademais os mistérios luminosos do Papa João Paulo II.

Às 6:00 a.m. sua comunidade assistia à Eucaristia, assim que se dirigiu do oratório à capela.

Nesse trajeto “percebia que meu braço esquerdo já não ficava imóvel ao caminhar mas balançava normalmente. Na Eucaristia tive a certeza de que estava curada”.

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Bento XVI encoraja pais que perderam filhos

Ao saudar os membros da associação “Filhos no Paraíso”
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 20 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – O Papa dirigiu palavras de encorajamento e esperança a pais que perderam um ou mais filhos, muitas vezes de forma trágica.Ele o fez ontem, durante a audiência geral, ao cumprimentar os membros da associação “Filhos no Paraíso: asas entre o céu e a terra”, de Galatone, espalhada por algumas regiões da Itália.
“Vós, pais, profundamente afetados pela morte, muitas vezes trágica, dos vossos filhos, não vos deixeis vencer pelo desespero ou pelo desânimo, mas transformai vosso sofrimento em esperança, como Maria aos pés da cruz”, disse ele.
O Pontífice também aconselhou os jovens a que, “na exuberância dos vossos anos juvenis, não deixeis de pesar os riscos e agi em todos os momentos com prudência e senso de responsabilidade, especialmente quando estais dirigindo, para proteger a vossa vida e a dos outros”.
Incentivou “os sacerdotes que acompanham espiritualmente as famílias afetadas pelo luto da perda de um ou mais filhos, a continuar com generosidade neste serviço importante”.
E, finalmente, garantiu “uma oração especial pelo eterno descanso dos vossos filhos e de todos os jovens que perderam suas vidas”.
“Senti ao vosso lado sua presença espiritual – concluiu: eles, como dizeis, são ‘asas entre o céu e a terra’.”

O mistério da maternidade. A vida e a morte

Algumas citações de “João Paulo II. Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de agosto de 1988), n. 18-19″.



Maternidade

18. Tanto o homem como a mulher — é a única criatura na terra que Deus quis por si mesma: é uma pessoa, é um sujeito que decide por si. Ao mesmo tempo, o homem « não pode se encontrar plenamente senão por um dom sincero de si mesmo ». 

Comentário: «A Glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem é a visão de Deus» (Santo Ireneu). Não só os pais se alegram e se orgulham de um novo filho, Deus também se alegra e se orgulha. Nasce um ser que tem por fim mais perfeito a visão face-a-face com Deus, seu Criador.

A maternidade é fruto da união matrimonial entre um homem e uma mulher, do « conhecimento » bíblico que corresponde à « união dos dois numa só carne » (cf. Gên 2, 24) e, deste modo, ela realiza — por parte da mulher — um especial « dom de si mesma » como expressão do amor conjugal, pelo qual os esposos se unem entre si de modo tão íntimo que constituem « uma só carne ». O « conhecimento » bíblico realiza-se segundo a verdade da pessoa só quando o dom recíproco de si não é deformado nem pelo desejo do homem de tornar-se « senhor » da sua esposa (« ele te dominará »), nem pelo fechar-se da mulher nos próprios instintos (« sentir-te-ás atraída para o teu marido »: Gên 3, 16).

Comentário: “Conhecer” o outro significa acolher e respeitar o mistério de sua pessoa. Muito diferente de se tratar o cônjuge como mero objeto ou instrumento sem vida ou consciência. Conhecer sexualmente alguém supõe o compromisso de empenhar a vida como dom para o outro. Só no dom total de si de um para com o outro há o “conhecimento” bíblico. Meio comprometimento com o outro não é verdadeiro compromisso: ninguém dá apenas 80% de seu coração, ou dá todo ou não o entrega. Se entende o motivo de que tantos estejam descrentes do amor: querem um amor sem compromisso. Sem responsabilidade não há amor, sem amor não há compromisso.

O dom recíproco da pessoa no matrimônio abre-se para o dom de uma nova vida, de um novo homem, que é também pessoa à semelhança de seus pais. A maternidade implica desde o início uma abertura especial para a nova pessoa: e precisamente esta é a « parte » da mulher. Nessa abertura, ao conceber e dar à luz o filho, a mulher « se encontra por um dom sincero de si mesma ». O dom da disponibilidade interior para aceitar e dar ao mundo o filho está ligado à união matrimonial, que — como foi dito — deveria constituir um momento particular do dom recíproco de si por parte tanto do homem como da mulher. A concepcão e o nascimento do novo homem, segundo a Bíblia, são acompanhados das seguintes palavras da mulher-genetriz: « Adquiri um homem com o favor de Deus » (Gên 4, 1). A exclamação de Eva, « mãe de todos os viventes », repete-se toda vez que vem ao mundo um novo homem e exprime a alegria e a consciência da mulher na participação do grande mistério do eterno gerar. Os esposos participam do poder criador de Deus!

Comentário: A maternidade implica em abrir-se a alguém. Sabe-se o quanto uma mãe se investe psicologicamente numa criança que está sendo gerada em seu seio. A criança é dela e a criança, por sua vez, tem o direito à sua mãe. Todo o carinho que a mãe tem por seu filho tem repercussões muito concretas, mesmo durante a gestação. A criança “sente” os efeitos desse amor. Sabe-se que também algumas mães tem sentimentos de rejeição e não se deve culpá-las, pois isso deve-se muitas vezes a processos químicos e psicológicos sobre o qual a mãe não tem controle. Podemos ter a convicção de que a gestação é um momento de grande alegria: « Adquiri um homem com o favor de Deus » (Gên 4, 1). E mesmo que se essa criança não viesse à luz ou sobrevivesse por pouco tempo, ela é eternamente grata pelo fato de ter sido desejada. Esse bebezinho pode dizer para Deus como no salmo, “protegei-me qual dos olhos a pupila e guardai-me, à proteção de vossas asas” (Sl 16, 8). Nada há com que se tenha mais cuidado do que com a pupila dos olhos e assim Deus a guarda e a envolve com suas asas. Toda a criança já tem o seu anjo da guarda, desde a concepção. Vemos o arcanjo Gabriel anunciando à Maria a concepção do Cristo. E mais tarde, anjos consolando Jesus depois de tentações e no horto do Getsêmani. Assim também seu anjo da guarda envolve esse filho e o conduz à visão de Deus.


A maternidade da mulher, no período entre a concepção e o nascimento da criança, passa por um processo biofisiológico e psíquico que hoje é melhor conhecido do que no passado, e é objeto de muitos estudos aprofundados. A análise científica confirma plenamente o fato de que a constituição física da mulher e o seu organismo comportam em si a disposição natural para a maternidade, para a concepção, para a gestação e para o parto da criança, em consequência da união matrimonial com o homem. Ao mesmo tempo, tudo isso corresponde também à estrutura psicofísica da mulher. Tudo quanto os diversos ramos da ciência dizem sobre este assunto é importante e útil, conquanto não se limitem a uma interpretação exclusivamente biofisiológica da mulher e da maternidade. Uma tal imagem « reduzida » andaria de par com a concepção materialista do homem e do mundo. Nesse caso, ficaria infelizmente perdido o que é verdadeiramente essencial: a maternidade, como fato e fenômeno humanos, explica-se plenamente tendo por base a verdade sobre a pessoa. A maternidade está ligada com a estrutura pessoal do ser mulher e com a dimensão pessoal do dom: « Adquiri um homem com o favor de Deus » (Gên 4, 1). O Criador concede aos pais o dom do filho. Por parte da mulher, este fato está ligado especialmente ao « dom sincero de si mesma ». As palavras de Maria na Anunciação: « Faça-se em mim segundo a tua palavra », significam a disponibilidade da mulher ao dom de si e ao acolhimento da nova vida.

Comentário: Não nasce só um “bichinho”; nasce uma pessoa humana: digna de respeito e cuidado. Todos aqueles que cuidam da vida nascente, pais, médicos, enfermeiros, devem ver claramente que toda a sensibilidade humana dispensada a essas vidas não é em vão.


Na maternidade da mulher, unida à paternidade do homem, reflete-se o mistério eterno do gerar que é próprio de Deus, de Deus uno e trino (cf. Ef 3, 14-15). O gerar humano é comum ao homem e à mulher. E se a mulher, guiada por amor ao marido, disser: « dei-te um filho », as suas palavras ao mesmo tempo significam: « este é nosso filho ». Contudo, ainda que os dois juntos sejam pais do seu filho, a maternidade da mulher constitui uma « parte » especial deste comum ser genitores, aliás a parte mais empenhativa. O ser genitores — ainda que seja comum aos dois — realiza-se muito mais na mulher, especialmente no período pré-natal. É sobre a mulher que recai diretamente o « peso » deste comum gerar, que absorve literalmente as energias do seu corpo e da sua alma. É preciso, portanto, que o homem seja plenamente consciente de que contrai, neste seu comum ser genitores, um débito especial para com a mulher. Nenhum programa de « paridade de direitos » das mulheres e dos homens é válido, se não se tem presente isto de um modo todo essencial.

Comentário: não é o “teu filho”, mas o “nosso filho”. Nenhuma mulher concebe (ou deve conceber) sozinha. Se há uma mãe, há um pai. Ambos compartilham do amor e da responsabilidade pelo filho. É um compromisso sagrado! 

A maternidade comporta uma comunhão especial com o mistério da vida, que amadurece no seio da mulher: a mãe admira este mistério, com intuição singular « compreende » o que se vai formando dentro de si. A luz do « princípio », a mãe aceita e ama o filho que traz no seio como uma pessoa. Este modo único de contato com o novo homem que se está formando cria, por sua vez, uma atitude tal para com o homem — não só para com o próprio filho, mas para com o homem em geral — que caracteriza profundamente toda a personalidade da mulher. Considera-se comumente que a mulher, mais do que o homem, seja capaz de atenção à pessoa concreta, e que a maternidade desenvolva ainda mais esta disposição. O homem — mesmo com toda a sua participação no ser pai — encontra-se sempre « fora » do processo da gestação e do nascimento da criança e deve, sob tantos aspectos, aprender da mãe a sua própria « paternidade ». Isto — pode-se dizer — faz parte do dinamismo humano normal do ser genitores, também quando se trata das etapas sucessivas ao nascimento da criança, especialmente no primeiro período. A educação do filho, globalmente entendida, deveria conter em si a dúplice contribuição dos pais: a contribuição materna e paterna. Todavia, a materna é decisiva para as bases de uma nova personalidade humana.

Comentário: aqui o Papa acena para alguns dados da neurociência, da facilidade da mulher em prestar atenção à pessoa concreta. Se o homem observar a capacidade feminina de relacionamento humano, ficará certamente assustado com a sua facilidade e sensibilidade. Também aqueles que serão “pais espirituais” como  
aquele amigo que conduz o outro para a fé, ou de modo especial, os sacerdotes que geram filhos espirituais pelo Batismo e pela Palavra de Deus, podem aprender do gênio feminino a caridade concreta.

A maternidade em relação à Aliança

19. Volta às nossas reflexões o paradigma bíblico da « mulher », tirado do Proto-Evangelho. A « mulher », como genetriz e como primeira educadora do homem (a educação é a dimensão espiritual do ser pais), possui uma precedência específica sobre o homem. Se, por um lado, a sua maternidade (antes de tudo no sentido biofísico) depende do homem, por outro, ela imprime uma « marca » essencial em todo o processo do fazer crescer como pessoa os novos filhos e filhas da estirpe humana. A maternidade da mulher em sentido biofísico manifesta uma aparente passividade: o processo de formação de uma nova vida « produz-se » nela, no seu organismo; todavia, produz-se, envolvendo-o em profundidade. Ao mesmo tempo, a maternidade, no sentido pessoal-ético,exprime uma criatividade muito importante da mulher, da qual depende principalmente a própria humanidade do novo ser humano. Também neste sentido a maternidade da mulher manifesta uma chamada e um desafio especiais, que se dirigem ao homem e à sua paternidade.

Comentário: a mulher é a melhor educadora dos filhos. E das coisas que mais fazem falta para o nosso tempo é de mães que não tenham “complexo de inferioridade” por serem simplesmente mães. Só com a contribuição delas se pode educar  
pessoas com valores humanos, morais e religiosos, para uma sociedade justa.

O paradigma bíblico da « mulher » culmina na maternidade da Mãe de Deus. As palavras do Proto-Evangelho: « Porei inimizade entre ti e a mulher », encontram aqui uma nova confirmação. Eis que Deus, na pessoa dela, no seu « fiat » materno (« Faça-se em mim »), dá início a uma Nova Aliança com a humanidade. Esta é a Aliança eterna e definitiva em Cristo, no seu corpo e sangue, na sua cruz e ressurreição. Precisamente porque esta Aliança deve realizar-se « na carne e no sangue », é que o seu início se dá na Genetriz. O « Filho do Altíssimo », somente graças a ela e ao seu « fiat » virginal e materno, pode dizer ao Pai: « formaste-me um corpo. Eis-me aqui para fazer, ó Deus, a tua vontade » (cf. Hebr 10, 5. 7).

Comentário: O melhor exemplo de mãe é a Virgem Maria. Nela se formou o Filho de Deus, o filho do Altíssimo, homem e Deus verdadeiro, Jesus Cristo, nosso Senhor. Pela sua concepção se iniciou uma nova Aliança entre o céu e a terra. Somos da família de Deus; Deus é “dos nossos”. O Pai enviou o Esposo divino para espalhar o Espírito de amor sobre a carne humana.

Na ordem da Aliança, que Deus realizou com o homem em Jesus Cristo, foi introduzida a maternidade da mulher. E cada vez, todas as vezes que a maternidade da mulher se repete na história humana sobre a terra, permanece sempre em relação com a Aliança que Deus estabeleceu com o gênero humano, mediante a maternidade da Mãe de Deus.

Comentário: Realmente impressionante. Ter filhos é a benção bíblica. Benção não é tanto carros, dinheiro e emprego, mas muitos filhos. Ali Deus renova seu compromisso com a humanidade.

Esta realidade não é talvez demonstrada pela resposta dada por Jesus ao brado da mulher que, no meio da multidão, o bendizia pela maternidade d’Aquela que o gerou: « Ditoso o seio que te trouxe e os peitos a que foste amamentado! »? Jesus responde: « Ditosos antes os que ouvem a palavra de Deus e a guardam » (Lc 11, 27-28). Jesus confirma o sentido da maternidade relativa ao corpo; ao mesmo tempo, porém, indica-lhe um sentido ainda mais profundo, ligado à ordem do espírito: a maternidade é sinal da Aliança com Deus que « é espírito » (Jo 4, 24). Tal é sobretudo a maternidade da Mãe de Deus. Também a maternidade de toda mulher, entendida à luz do Evangelho, não é só « da carne e do sangue »: nela se exprime a profunda « escuta da palavra do Deus vivo » e a disponibilidade para « guardar » esta Palavra, que é « palavra de vida eterna » (cf.Jo 6, 68). Com efeito, são os nascidos de mães terrenas, os filhos e as filhas do gênero humano, que recebem do Filho de Deus o poder de se tornarem « filhos de Deus » (Jo 1, 12). A dimensão da Nova Aliança no sangue de Cristo penetra no gerar humano, tornando-o realidade e responsabilidade de « novas criaturas » (2 Cor 5, 17). A maternidade da mulher, do ponto de vista da história de todo homem, é o primeiro limiar, cuja superação condiciona também « a revelação dos filhos de Deus » (cf. Rom 8, 19).

Comentário: “Feliz quem é tua mãe, Jesus!” “Feliz quem entende o mistério da renovação da Aliança através da maternidade da mulher”!

« A mulher, quando vai dar à luz, está em tristeza, por ter chegado a sua hora. Mas depois de ter dado à luz o menino, já não se lembra da aflição por causa da alegria de ter nascido um homem no mundo » (Jo 16, 21). As palavras de Cristo referem-se, na sua primeira parte, às « dores do parto » que pertencem a herança do pecado original; ao mesmo tempo, porém, indicam a ligação da maternidade da mulher com o mistério pascal. Neste mistério, de fato, está incluída também a dor da Mãe aos pés da Cruz — da Mãe que mediante a fé participa no mistério desconcertante do « despojamento » do próprio Filho. « Isso constitui, talvez, a mais profunda “kênose” da fé na história da humanidade ». (40)

Comentário: A Mãe Maria que acolhe nos braços ao seu Filho na Cruz. Qual deve ser nossa atitude diante disso? Silêncio. Não o da indiferença, mas o da presença. Da caridade silenciosa. Deus Pai não disse nada. Caíam as lágrimas, se rasgavam os corações mais duros. Silêncio, pois para as feridas da alma, só o tempo. Mas, me engano. Às vezes o tempo não cura e a chaga só piora. Também é preciso a esperança. Crer em Deus que é Pai e nos espera após a morte é a divina medicina que, gota a gota, limpa e cura.


Contemplando esta Mãe, cujo coração foi traspassado por uma espada (cf. Lc 2, 35), o pensamento volta-se a todas as mulheres que sofrem no mundo, que sofrem no sentido tanto físico como moral. Neste sofrimento, uma parte é devida à sensibilidade própria da mulher; mesmo que ela, com frequência, saiba resistir ao sofrimento mais do que o homem. É difícil enumerar estes sofrimentos, é difícil nomeá-los todos: podem ser recordados o desvelo maternal pelos filhos, especialmente quando estão doentes ou andam por maus caminhos, a morte das pessoas mais queridas, a solidão das mães esquecidas pelos filhos adultos ou a das viúvas, os sofrimentos das mulheres que lutam sozinhas pela sobrevivência e os das mulheres que sofreram uma injustiça ou são exploradas. Existem, enfim, os sofrimentos das consciências por causa do pecado, que atingiu a dignidade humana ou materna da mulher, as feridas das consciências que não cicatrizam facilmente. Também com estes sofrimentos é preciso pôr-se aos pés da Cruz de Cristo.

Comentário: O papa enumera vários casos desse “calvário” e sugere que rezemos por essas pessoas.

Mas as palavras do Evangelho sobre a mulher que sofre aflição, por chegar a sua hora de dar à luz o filho, logo depois exprimem a alegria: « a alegria de ter nascido um homem no mundo ».Também esta se refere ao mistério pascal, ou seja, àquela alegria que é comunicada aos apóstolos no dia da ressurreição de Cristo: « Da mesma maneira também vós estais agora na tristeza » (estas palavras foram pronunciadas no dia anterior ao da paixão); « mas eu voltarei a ver-vos; então o vosso coração alegrar-se-á e ninguém arrebatará a vossa alegria » (Jo 16, 22).

Comentário:  “Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram” (Ap 21, 4). Pela cruz, à glória da Ressurreição”!

E, levantando-se, ele seguiu Jesus.

Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Africa do Norte) e Doutor da Igreja

Confissões, X, 27

Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu Te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das Tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava Contigo. Retinham-me longe de Ti as Tuas criaturas, que não existiriam se em Ti não existissem. Tu me chamaste, o
Teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e Tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste a Tua fragrância e, respirando-a, suspirei por Ti. Eu Te saboreei, e agora tenho fome e sede de Ti. Tu me tocaste e agora estou ardendo no desejo da Tua paz.

Quando estiver unido a Ti com todo o meu ser, não mais sentirei dor ou cansaço. A minha vida será verdadeiramente vida, toda plena de Ti. Tu alivias aqueles a quem plenamente satisfazes. Não estando ainda repleto de Ti, sou um peso para mim mesmo. As minhas alegrias, que deveriam ser choradas, contrastam em mim com as tristezas, que deveriam causar-me júbilo, e ignoro de que lado está a vitória. Falsas tristezas pelejam em mim contra as verdadeiras alegrias, e não sei quem vencerá. Ai de mim! «Tem
piedade de mim, Senhor!» (Sl 30, 10). Ai de mim! Vês que não escondo as minhas chagas. Tu és o médico, eu sou o enfermo. Tu és misericordioso e eu sou miserável.

A EDUCAÇÃO SEGUNDO A FILOSOFIA PERENE

Fonte: http://www.cristianismo.org.br/sum-efp.htm

“o fim último está para o movimento do apetite assim como o primeiro movente está para os demais movimentos. Ora, é manifesto que as causas segundas moventes não movem senão na medida em que são movidas pelo primeiro movente. De onde que os apetecíveis segundos não movem o apetite senão na medida em que se ordenam ao primeiro apetecível, que é o fim último” (TOMÁS de AQUINO, Summa Theologiae, Ia IIae, Q.1, a.6).
http://www.cristianismo.org.br/efp2-03.htm

Há fins imperfeitíssimos, que não são apetecidos por nenhuma bondade formal existente nos mesmos, mas apenas por serem úteis a algo. É o caso do dinheiro; correspondem aos agentes imperfeitíssimos.


Há outros fins que são perfeitos; são desejados por causa de algo que têm em si mesmos, mas, mesmo assim, são desejados por causa de outros, como a honra e os prazeres, que seriam escolhidos pelos homens por causa de si mesmos ainda que nada mais pudessem conseguir por meio deles. No entanto, não obstante isso, os escolhemos por causa da felicidade, porque através da honra e dos prazeres pensamos que futuramente seremos felizes (In libros Ethicorum Expositio, L.I, l.9, 109-110).


Há, finalmente, o fim perfeitíssimo, que cumpre determinar qual seja, mas que nunca poderá ser desejado por causa de nenhum outro.

Um fim com estas características os homens chamam de felicidade . Trata-se, porém, de um nome genérico para designar o fim último da vontade humana; ainda permanece a questão de se determinar em que consiste a felicidade para o homem.http://www.cristianismo.org.br/efp2-04.htm


Ademais, a felicidade terá que ser a perfeição última do homem  (In libros Ethicorum Expositio,L.I, l.10, 119).  
http://www.cristianismo.org.br/efp2-05.htm
http://www.cristianismo.org.br/efp2-04.htm

Celibato, sinal escatológico

INTRODUÇÃO
“Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração” (Os 2,14).
Convém dar um conceito básico sobre o que é escatologia. Escatologia: Do grego éskata (coisas últimas) e logos (conhecimento): estuda o que, pela Revelação, sabemos acerca do que existe após o fim da vida terrena. Pode dividir-se em três partes:  a) Escatologia Universal: vinda gloriosa de Cristo no fim do mundo e plenitude do Reino de Deus; b) Escatologia Individual: morte de cada ser humano e seu destino eterno; c) Escatologia Intermédia: abarca desde a morte de cada pessoa até à sua ressurreição no último dia. “Celibato, sinal escatológico” quer entender o exercício da sexualidade do celibatário pela luz do que acontecerá após a morte e ressurreição.
Uma das dificuldades para se entender o estado celibatário é a falta de fé. O celibato é, antes de tudo, um carisma. Não é apenas um meio para se ganhar tempo, ou outro fim material. Não é uma opção acidental ou casual. O celibato possui algumas vantagens e características facilmente compreensíveis a qualquer um mesmo sem fé, mas o seu motivo essencial é de fé. E uma fé que reconhece a) Jesus Cristo; b) a Igreja Católica como Esposa de Cristo; c) e o Reino dos céus, onde veremos Deus face-a-face. Logo se vê que alguém, que não confessasse a fé católica, difilcilmente compreenderá a profundidade da questão. Assim como alguém que não cresse, quissesse falar sobre a Eucaristia, não teria a profundidade suficiente de quem vive da fé. O celibato é um mistério da fé.
O celibato, seja sacerdotal ou leigo, possui uma dimensão esponsal e paternal-maternal. Isso é desconhecido pela maioria das pessoas. Assim como o matrimônio humano também possui uma dimensão virginal. Logo se vê que a questão vai muito mais além do que se pensa.
Corrre-se o risco de que se viva na prática o celibato, mas sem compreendê-lo plenamente. E com isso, em vez de ser um carisma, se torna uma restrição para  o amor. Percebe-se que uma visão secularizada do celibato só possa ver aí a frustração dos instintos mais básicos do ser humano. Mas não é essa a experiência de milhões e milhões de celibatários ao longo da história. Poderíamos dizer com santa Teresinha : “no coração da Igreja, serei o amor“.

SUMÁRIO

1. Quem pode ser celibatário? Leigos, ministros ordenados e consagrados; Homens e mulheres 2. Uma primeira definição de estado celibatário 3. Principais objeções ao celibato, em especial, o eclesiástico 3.1. A cultura e o ambiente secularizados 4. À imagem de Deus: A vocação ao amor 5. As razões profundas para o celibato: Cristo, a Igreja, o Reino 6. Relações entre o celibato e o matrimônio 7. A vida espiritual do celibatário 8. Os meios para se viver com coerência 9. Como discernir o chamado de Deus

 

1. QUEM PODE SER CELIBATÁRIO? LEIGOS, MINISTROS ORDENADOS E CONSAGRADOS; HOMENS E MULHERES
Estas várias vocações são “manifestação do único mistério de Cristo, os leigos têm como característica peculiar, embora não exclusiva, a secularidade, os pastores a « ministerialidade », os consagrados a conformação especial a Cristo virgem, pobre e obediente” (João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Vita consecrata (25 de março de 1996), 31).Leigos: Uma primeira idéia que há sobre o celibato é que ele é reservado para os padres e religiosos. Os leigos ou se casam ou esperariam se casar. Ou, pior, levam uma vida imoral e sem compromissos com ninguém. Essa é uma imagem deformada do que seja o leigo. Na verdade, o celibato laical é uma realidade jubilosa na Igreja. Também muitos leigos recebem essa graça. Ocorre muitas vezes que um leigo permaneça solteiro apenas em vista de valores naturais e imediatos. “Não me casarei para poder estudar”, “não encontrei a minha cara-metade”, “dá muito trabalho”, “não quero ter filhos para não perder a beleza do corpo”, etc. São motivações variadas, algumas boas, outras insuficientes. O caso é que o estado celibatário é um dom de Deus e deve ser assumido com uma motivação sobrenatural: por causa do Reino dos céus. Veremos mais adiante o que significa essa motivação. Por isso o celibatário não é um solteiro, um “solto” simplesmente, mas está comprometido seriamente com uma vocação específica.

O que caracteriza o leigo como tal é sua “inserção nas realidades temporais e na sua participação nas atividades terrenas” (João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Christifideles laici (30 de Dezembro de 1988), 17). O celibato laical favorece a dedicação amorosa à santificação do mundo desde dentro, onde vive e atua o fiel cristão.

Ministros ordenados: a) Bispos e presbíteros: Os ministros ordenados (inclusive o diácono) são continuadores da missão apostólica (a ministerialidade) através dos séculos. Na ordenação, os sacerdotes (bispos e padres) são configurados a Cristo Cabeça e Esposo da Igreja. Eles representam sacramentalmente a presença do próprio Cristo nas comunidades. Quando o padre administra o Batismo ele o faz na pessoa de Cristo Cabeça – in persona Christi Capitis– de modo que não é apenas o padre que batiza, mas Cristo que batiza. O padre diz “Isto é o meu Corpo”, “Eu te absolvo”, emprestando a sua voz para que o próprio Cristo consagre e perdoe.E como o celibato contribui na missão sacerdotal? Renunciando a uma fecundidade e paternidade físicas, o sacerdote adquire uma maior fecundidade e paternidade espirituais. Veja-se o exemplo de São Paulo que era celibatário: “De fato, ainda que vocês tivessem dez mil pedagogos em Cristo, não teriam muitos pais, porque fui eu quem gerou vocês em Jesus Cristo, por meio do Evangelho. Portanto, eu lhes dou um conselho: sejam meus imitadores” (1 Cor 4, 14-16).

O celibato permite uma vivência ainda mais profunda dessa configuração a Cristo Cabeça e Esposo. Isso por quê o sacerdote deve amar ao seu povo como Cristo amou. Este amor esponsal de Cristo pela Igreja é vivido pelos sacerdotes romanos, que como Jesus não se uniram em matrimônio a nenhuma mulher humana, mas à Igreja. Deste modo, o celibato dos sacerdotes possui uma distinção da dos leigos e consagrados: embora também sendo Igreja, eles se identificam especialmente com o Cristo Esposo (e pelo Batismo, com a Igreja Esposa). A missão dos padres é a do Cristo Esposo. Uma missão masculina, paternal e espiritual: ser imagem da hombridade de Cristo que combate o mal, constrói o Reino, protege e guarda a Igreja; gera filhos espirituais pela Palavra da fé, os sacramentos, a direção espiritual, a direção dos movimentos e pastorais; e, isso tudo, com uma fecundidade espiritual garantida pela vivência celibatária. Em suma, o celibato sacerdotal faz dos ministros ordenados mais guias, mais apaixonados pela Igreja e mais pais.

b) Diáconos: os diáconos celibatários não são configurados a Cristo Cabeça, mas a Cristo Servo, de modo que a sua missão está mais ligada ao serviço do que à direção de uma comunidade cristã. O celibato diaconal potencializa a capacidade de fazer-se dom para os outros. Os diáconos casados não vivem, evidentemente, o celibato. A sua missão se divide, portanto, entre a sua própria família carnal e sua família espiritual, a Igreja, bem como no serviço que presta à sociedade através de seu trabalho remunerado.

Consagrados: São aqueles que procuram viver a radicalidade do Batismo, por votos ou compromissos, pela prática dos três conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência, segundo o seu carisma próprio. O celibato não é a mesma coisa que a castidade. É a “Castidade como virtude moral que regula o exercício da sexualidade segundo o estado de vida da pessoa, em função de seus valores e no respeito da natureza da própria sexualidade” (CENCINI, Amadeo. Virgindade e celibato hoje: para uma sexualidade pascal. trad. Joana da Cruz. São Paulo, SP: Paulinas, 2009, pag. 132). Também se pode dizer que a castidade é a ecologia do amor humano integral. É a arte de amar mais e melhor. A castidade deve ser vivida por todos os cristãos, o celibato por alguns.

Vivendo o celibato (ou a virgindade) castamente, os consagrados são uma “imagem escatológica especial da Esposa celeste e da vida futura, quando, finalmente, a Igreja viverá em plenitude o seu amor por Cristo Esposo” (Vita consecrata, 7). “A pessoa consagrada, seguindo o exemplo de Maria, nova Eva, exprime a sua fecundidade espiritual, tornando-se acolhedora da Palavra, para colaborar na construção da nova humanidade com a sua dedicação incondicional e o seu testemunho vivo” (Vita consecrata, 34). Em resumo, os consagrados além de terem os benefícios espirituais do celibato (paternidade-maternidade, fecundidade espirituais), são uma imagem especial da Igreja Esposa.

Homem: o celibato em si, configura toda a personalidade da pessoa, de modo que há modos próprios de um celibatário viver e de se relacionar. Tanto a sua capacidade de amar como a de trabalhar são atingidas por esse estilo de vida. O celibato masculino parece estar mais ligado ao “fazer”. O homem percebe não só a disponibilidade de tempo para o trabalho, como também sua eficácia. Um método simples de o homem descobrir o celibato é o de aplicar-se ao trabalho com “sentido sobrenatural”, ou seja, descobrir o amor de Deus no seu trabalho e através de seu fazer.

Algo interessante que também se pode dizer do celibato masculino é que leva o homem a transcender aquela atitude meramente sensual para com as mulheres, descobrindo o valor mais alto do amor, da amizade e do compromisso.

Mulher: o celibato feminino está mais ligado ao relacionamento humano, à capacidade de acolhida do outro. Na celibatária, ressalta-se a sua feminilidade por esta sua capacidade de acolhida e de atenção concreta. O método de descoberta do celibato para mulher parece estar mais ligado ao de entrega de si a Cristo Esposo. Pela oração, a mulher descobre o amor esponsal espiritual.

A tal propósito, é sugestivo o texto neo-testamentário que apresenta Maria reunida com os Apóstolos, no Cenáculo, aguardando em oração a vinda do Espírito Santo (cf. Act 1,13-14). Pode-se ver aqui uma expressiva imagem da Igreja-Esposa, atenta aos sinais do Esposo e pronta a acolher o seu dom. Na figura de Pedro e demais apóstolos, ressalta sobretudo a dimensão da fecundidade operada pelo ministério eclesial, que se faz instrumento do Espírito para a geração de novos filhos através da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos e pela solicitude pastoral. Já em Maria, é particularmente viva a dimensão do acolhimento esponsal com que a Igreja faz frutificar em si mesma a vida divina, através da totalidade do seu amor virginal (Vita consecrata, 34).

Isso não significa que a mulher deva permanecer apenas no trabalho “interior” da oração. Basta recordar Marta e Maria, o fazer e o rezar. A mulher também tem enorme capacidade de trabalho, veja-se por exemplo a vida de Santa Teresa de Jesus.

2. Uma primeira definição de estado celibatário

O celibato não é somente uma renúncia, mas uma escolha. Ser celibatário não é ser solteiro. Não é a renúncia do amor. O celibato não é somente para os padres. Não se compreende plenamente essa opção senão pela fé. Não se trata de um desprezo velado do matrimônio, pelo contrário. Celibato não significa isolamento do mundo ou das pessoas. Não é desprezo pelo ato sexual, nem puritanismo. Não é a renúncia à masculinidade ou à feminilidade, para se constituir como se fosse um outro gênero.

Negativamente, já se sabe o que não é o celibato. Positivamente, será tratado como um tema mais adiante. Mas, desde já se pode formular uma primeira definição. É a escolha de um batizado, que o insere num estado específico (celibatário) para viver de um modo novo o amor esponsal.

O celibato também é um “dar-se a alguém”. Dar não apenas atração, paixão, ou afinidades, mas a si próprio: eis o amor esponsal. O papa João Paulo II havia escrito antes de assumir o pontificado o livro “Amor e Responsabilidade” onde se encontra uma definição do amor esponsal:

“Dar-se” é algo mais do que só “querer bem”, ainda que, por causa disto, o outro “eu” se tornasse quase o meu próprio, como na amizade. Tanto do ponto de vista do sujeito individual, como do da união interpessoal criada pelo amor, o amor esponsal é, ao mesmo tempo, alguma coisa diferente, é superior a todas as outras formas de amor já analisadas. Quando o amor esponsal concretiza a relação interpessoal, então começa algo diferente da amizade: a entrega mútua das pessoas” (WOJTYLA, Karol, Amor e responsabilidade: estudo ético. São Paulo: Loyola, 1982, p. 85).

A opção vocacional celibatária pressupõe duas Pessoas, sem as quais não há entrega mútua. Quem pretende ficar sozinho não quer ser celibatário.

As pessoas que dedicaram a sua vida a Cristo, não podem deixar de viver no desejo de O encontrar, para estarem finalmente e para sempre com Ele. Daí a esperança ardente, daí o desejo de « entrarem na Fornalha de amor que nelas arde, e que outra coisa não é que o Espírito Santo » (B. Isabel da Trindade, Le ciel dans la foi. Traité spirituel, I, 1 in Vita Consecrata, n. 26).

Veja mais em: http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_24061967_sacerdotalis_po.html
Também http://padrepauloricardo.org/articles/celibato/