O QUE É CASTIDADE ?

 “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8): a “pureza” se refere ou à caridade, ou à castidade, ou à ortodoxia de fé (cf. CIC 2518). É a “Castidade como virtude moral que regula o exercício da sexualidade segundo o estado de vida da pessoa, em função de seus valores e no respeito da natureza da própria sexualidade” (CENCINI, Amadeo. Virgindade e celibato hoje: para uma sexualidade pascal. trad. Joana da Cruz. São Paulo, SP: Paulinas, 2009, pag. 132). Também se pode dizer que a castidade é a ecologia do amor humano integral. É a arte de amar mais e melhor.

O celibato sacerdotal deve ser assumido com liberdade afetiva. Ou seja, uma convicção pessoal, e não apenas como uma regra externa a mim.

No âmbito da psicologia, pode-se distinguir a atração sexual (emoção), a afetividade (sentimentos) e o amor (vontade) (cf. WOJTYLA, Karol. Amor e Responsabilidade). O amor puro, em geral, possui essas três dimensões. A concupiscência reduz a relação humana à atração sexual, que em si é boa e abençoada, mas corruptível quando dissociada do amor.

É uma virtude para todos. Não apenas preserva o amor da corrupção, como promove também a sua plenitude. É dom de Deus e regulada pela virtude Cardeal da Temperança, que regula os apetites naturais. É a “a sexualidade colocada a serviço do amor” (L. Rossi apud CENCINI, A., 2009, pag. 133). Trata-se de “Orientar o eros (a energia afetivo-sexual) e as pulsões sexuais para o seu fim específico e segundo as suas escolhas pessoais da vida” (CENCINI, A., 2009, pag. 132, grifo do autor). Não é “renunciar ao fim natural da sexualidade (…): rumo à relação, rumo à alteridade, rumo à fecundidade (…). Castidade (virginal) significa, de modo mais positivo, realizar o fim específico da sexualidade através da escolha virginal (…) (CENCINI, A., 2009, pag. 135, grifo do autor).
“Ainda que a castidade se destaque de modo eminente, sem a caridade não tem valor, nem mérito. A castidade sem a caridade é uma lâmpada sem azeite” (São BERNARDO, Trat. sobre costumbres y ministerios de los obispos, 3, 8). “A castidade é a energia espiritual que liberta o amor do egoísmo e da agressividade” (CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A FAMÍLIA. Sexualidade Humana: Verdade e significado: orientações educativas em família. 6 ed. São Paulo, SP: Paulinas, 2007, n. 16).

‘A castidade é a afirmação cheia de alegria de quem sabe viver o dom de si, livre de toda a escravidão egoísta. Isto supõe que a pessoa tenha aprendido a reparar nos outros, a relacionar-se com eles respeitando a sua dignidade na diversidade. A pessoa casta não é centrada em si mesma, nem tem um relacionamento egoísta com as outras pessoas. A castidade torna harmônica a personalidade, fá-la amadurecer e enche-a de paz interior. Esta pureza de mente e de corpo ajuda a desenvolver o verdadeiro respeito de si mesmo e ao mesmo tempo torna capaz de respeitar os outros, porque faz ver neles pessoas dignas de veneração enquanto criadas à imagem de Deus e, pela graça, filhos de Deus, novas criaturas em Cristo que “vos chamou das trevas à sua luz admirável”’ (1 Ped 2, 9)’ (Sexualidade Humana, n. 17).

“Ao mesmo tempo, devo repetir-te que a existência do cristão – a tua e a minha – é de Amor. O nosso coração nasceu para amar. E quando não lhe damos um afeto puro e limpo e nobre, vinga-se e inunda-se de miséria. O verdadeiro amor de Deus – a pureza de vida, portanto – acha-se tão longe da sensualidade como da insensibilidade, de qualquer sentimentalismo como da ausência ou da dureza de coração.

É uma pena não ter coração. São uns infelizes os que não aprenderam nunca a amar com ternura. Nós, os cristãos, estamos enamorados do Amor: o Senhor não nos quer secos, rígidos, como uma matéria inerte. Ele nos quer impregnados do seu carinho! Aquele que por Deus renuncia a um amor humano não é um solteirão, como essas pessoas que andam tristes, infelizes e de asa caída, porque desprezaram a generosidade de amar limpamente” (ESCRIVÁ, São Josemaría. Amigos de Deus: homilias. trad. Emérico da Gama. 2. ed. São Paulo, SP: Quadrante, 2000, pag. 194-195).

EDUCAÇÃO PARA O AMOR (ITINERÁRIOS FORMATIVOS NO SEIO DA FAMÍLIA)

“Não é suficiente o jejum corporal para conquistar e conservar a castidade per-feita. Contra este espírito impuro há de proceder com a contrição do coração, junto com a oração e a meditação constante das Escrituras. Há de se unir, ademais, o conheci-mento das coisas do espírito e o trabalho, que têm a propriedade de reprimir a inconstância e a veleidade de coração. E, sobretudo, é preciso haver posto sólidos cimentos de humildade” (Cassiano, Instituiciones 6, 1).

“O objetivo da obra educativa é, para os pais, transmitir a seus filhos a convicção de que a castidade no seu estado de vida é possível e portadora de alegria” (cf. Sexualidade Humana, n. 73). O lar familiar é o lugar normal e ordinário da formação das crianças. Evite-se a educação sexual precoce. Convém um estilo de vida sóbrio e austero. A família deve receber a colaboração do Estado, segundo o princípio de subsidiariedade. “Este dever primário da família, que recordamos, comporta para os pais o direito a que os seus filhos não sejam obrigados, na escola, a assistir a cursos sobre esta matéria que estejam em desacordo com as suas convicções religiosas e morais” (cf. Sexualidade Humana, n. 64).

É importante o clima afetivo da família. O exemplo da relação entre os pais é o melhor educador. É bom se ter tempo para dialogar com os filhos . Na adolescência, é especialmente importante o valor das amizades.

A comunidade de fé também precisa educar para o amor na verdade. É ali que se dá de modo profundo a formação da consciência moral. A castidade está conexa às demais virtudes humanas e cristãs (em especial a caridade, a modéstia, e a mortificação).

O pudor

O que é? Não é apenas o fruto de uma cultura. É a tendência natural de ocultar alguns valores sexuais para não constituírem “possíveis objetos de uso” dissociados do valor da pessoa integral. O amor só é possível em clima de intimidade, o que significa confiança recíproca e protege contra a instrumentalização do parceiro/a. Como recordavam os Padres da Igreja, “Donde não há amor de Deus, reina a concupiscência” (Santo Agostinho, Enquiridio, 1 17).

É preciso pudor no falar, no vestir, e também nos meios de comunicação em massa. A intimidade da criança auxilia as relações de responsabilidade e confiança. Sem liberdade não há educação.

O Autodomínio se consegue pela mortificação dos sentidos (paladar, olhar, e também imaginação, memória, etc). “Mal poderá conter a luxúria quem não corrigir primeiro o vício da gula” (CASSIANO, Colaciones, 5, lO).

“Para conservar a castidade não bastam a vigilância, nem o pudor. É necessário também recorrer aos meios sobrenaturais: à oração, aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia e à uma ardente devoção para com a Santíssima Mãe de Deus” (Pio XII, Sacra virginitas, 25-3-1954).

“Não passeis com ligeireza por cima dessas normas que são tão eficazes para nos conservarmos dignos do olhar de Deus: a guarda atenta dos sentidos e do coração; a valentia – a valentia de ser covarde – para fugir das ocasiões; a freqüência dos sacra-mentos, de modo particular a Confissão sacramental; a sinceridade plena na direção espiritual pessoal; a dor, a contrição, a reparação depois das faltas. E tudo ungido com uma terna devoção a Nossa Senhora, para que Ela nos obtenha de Deus o dom de uma vida santa e limpa.

Se por desgraça se cai, é preciso levantar-se imediatamente. Com a ajuda de Deus, que não faltará se nos servirmos dos meios, há de chegar-se quanto antes ao arre-pendimento, à sinceridade humilde, à reparação, de modo que a derrota momentânea se transforme numa grande vitória de Jesus Cristo” (ESCRIVÁ, São Josemaría. Amigos de Deus: homilias. trad. Emérico da Gama. 2. ed. São Paulo, SP: Quadrante, 2000, pag. 197-198).

“Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minha alma por vós, ó meu Deus! Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus” (Sl 41, 2-3)?

Trabalho apresentado em aula pelo acadêmico de teologia: Wagner Cardoso Bianchini, seminarista da Arquidiocese de Porto Alegre.

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Evangelho segundo S. João 15,9-11.

«Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor. Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa.